sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

PONDERAÇÕES EM TORNO DA FÉ



Vinícius Lousada[1]



“o Espiritismo estabelece como princípio que antes de crer é preciso compreender.” – Allan Kardec[2]



            Do ponto de vista kardequiano, a fé pode ser compreendida como a confiança que o ser humano tem em suas próprias forças para a realização de determinada coisa, superando os obstáculos das dificuldades, da má vontade e das resistências.

Com fé em seus objetivos nobres e no próprio potencial o indivíduo faz-se capaz de mover “montanhas” como os “preconceitos da rotina, o interesse material, o egoísmo, a cegueira do fanatismo e as paixões orgulhosas”[3] que, ainda, procuram interpor-se ao progresso da humanidade.

            A fé, segundo o estudo proposto pelo mestre Allan Kardec em O Evangelho segundo o Espiritismo, igualmente tem por significado a confiança que se tem na realização de algo, de tal modo que, pelo pensamento, se pode conceber antecipadamente a sua efetivação e os meios para tanto. Nesse caso, essa fé-confiança dá ao indivíduo tranqüilidade na realização de seu tentame e favorece o êxito.

            Todavia, Kardec não deixa de caracterizar a concepção de fé a qual ele se refere como calma e geradora de paciência porque se apóia “na inteligência e na compreensão das coisas”[4], bem diferente do que ele chama de fé vacilante, aquela que se ressente de sua própria fragilidade e, motivada pelo interesse, torna-se violenta em uma tentativa irracional de suprir a força que lhe falta.

Aliás, isso de alguma forma explica os fenômenos contemporâneos de terrorismo religioso onde, em nome de uma interpretação muito particular da doutrina do Islã, infelizes irmãos integrantes do Talibã se autorizam a explodir escolas no Paquistão[5]. Trata-se de manifesta declaração da insustentabilidade de suas convicções mediante uma postura fundamentalista frente ao raciocínio e uma resposta obscurantista à liberdade de pensar, corolário do fim da escravidão humana de outros tempos.

Para Kardec, a fé não combina com a presunção e nem com a violência. A fé deve ser humilde porque, sendo raciocinada, compreende os seus limites e reconhece a sua fortaleza na vontade de Deus, “a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas.”[6]

A fé presunçosa denota orgulho, imperfeição humana que produz a cegueira intelectual e moral. O orgulhoso fecha-se em si mesmo e crê-se com mais luzes que os outros. Ele cerra os ouvidos ao diálogo e às opiniões contraditórias às suas crenças, desvalorizando a oportunidade de aprender com a leitura do outro sobre as suas convicções pessoais e, quem sabe, robustecer serenamente a própria fé.

Do ponto de vista teológico, segundo Kardec, a fé costuma ser concebida como a crença em dogmas especiais que constituem, desse modo, as mais diferentes religiões no mundo.

Dessa perspectiva, a fé pode ser raciocinada ou cega. A fé cega consiste naquela em que o crente não se ocupa de verificar pela lógica o objeto de sua crença que, muitas vezes, choca-se com as evidências que os fatos lhe apresentam, tanto quanto, colide frontalmente com o uso da razão.

            A fé cega tende a produzir fanatismo, onde cada crente teria a pretensão de que a sua religião deteria todo o conteúdo das verdades espirituais da vida. O fanatismo, por sua vez, como erro de percepção do cosmo e das Divinas Leis, tende a degenerar em intolerância e violência, como no exemplo assinalado anteriormente.

            Por outro lado, a fé raciocinada mantém a liberdade de pensar como premissa de sua efetividade, ela se fortalece no raciocínio sem preconceitos e no livre-exame proporcionado pela dúvida que investiga. Nesse sentido, a fé racional não teme o progresso intelectual da coletividade, muito pelo contrário, a sua capacidade de “encarar de frente a razão, em todas as épocas da Humanidade”[7] é condição que a mantém inabalável, como ensinou o insigne codificador do Espiritismo.

            É de bom alvitre que recordemos que a fé não pode ser prescrita ou imposta a um indivíduo. No que tange aos valores espirituais básicos é uma aquisição pessoal amadurecida a cada reencarnação do Espírito, atualizada sob a influência de questões socioculturais, contudo, é uma questão de foro íntimo.

            Por fim, entendamos que a fé, para ser raciocinada, demanda que o seu ponto de apoio se estabeleça na compreensão clara e prefeita daquilo em que se crê, ou seja, em um método de raciocínio que se sustente em um sentido lúcido e profundo para a crença, no exame rigoroso dos fatos inerentes aos princípios filosóficos da escola de fé abraçada, sem deixar margem a nenhum mistério ou superstição.

Em matéria de crença aceitemos somente o que é inteligível à razão e, caso alguém queira nos impor uma fé cega, lembremo-nos da recomendação do Mestre Jesus a dizer-nos em seu Evangelho “Deixai-os; são condutores cegos. Ora, se um cego guiar outro cego, ambos cairão na cova.”[8]



[1] Educador, escritor e palestrante espírita. Contatos: vlousada@hotmail.com.
[2] Revista Espírita de Fevereiro de 1867, Livre pensamento e livre consciência.
[3] O Evangelho segundo o Espiritismo, Cap. XIX, item 2.
[4] O Evangelho segundo o Espiritismo, Cap. XIX, item 3.
[6] O Livro dos Espíritos, questão 1.
[7] O Evangelho segundo o Espiritismo, Cap. XIX, item 7.
[8] Mateus 15:14.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Casa Espírita do Cassino promove palestras

 A Casa Espírita Nova Esperança, situada na rua Bahia, 536, no Cassino, promove este mês duas palestras, abertas ao público. A primeira ocorre no próximo sábado, 14, e será proferida pela rio-grandina Larissa Camacho Carvalho, trabalhadora da Sociedade Espírita Kardecista e palestrante da Federação Espírita do Rio Grande do Sul (Fergs). Ela terá como tema Falsos Cristos e Falsos Profetas e será realizada às 19h. E no sábado, dia 28, o rio-grandino Vinicius Lima Lousada - que atualmente reside em Passo Fundo - também palestrante da Fergs, abordará o tema Em Busca da Sabedoria, às 19h.



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sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Física Quântica



Entrevista do Programa Transição sobre a Física Quântica e Espiritualidade, com o Prof. Dr. Alexandre Fontes da Fonseca.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Quando o Pai atende a rogativa



José Artur M. Maruri dos Santos

Colaborador da União Espírita Bageense e Advogado

 
 
 
Diante das vivências relatadas pelo Espírito Camilo Cândido Botelho através da mediunidade de Yvonne A. Pereira, nos deparamos com a narrativa de seu suicídio, como se deram as horas iniciais ao ato supremo, para onde ele foi enviado após a sentença lavrada por sua própria “justiça” e como ele recebeu o auxílio após anos encontrando-se errante.

Porém, quem cumpriu a determinação do Altíssimo e auxiliou o Espírito Camilo na sua rogativa por piedade após o desfalecimento de seu corpo físico? Quem adentrou àquele vale sinistro em um “trem caravaneiro” e recolheu Camilo e outros afins que se compraziam naquele cenário sombrio e denso?

Pasmem, caríssimos irmãos, eram criaturas criadas por Deus, como nós. Trabalhadores, abnegados, da obra de Jesus, assim como nós poderemos vir a ser, um dia.

Ao contrário do que muitos pensam, não se tratavam de anjos, escolhidos por Deus, sem critério algum. Não se tratavam de figuras clarinhas, com os olhos azuis, asas no dorso e auréola sobre a cabeça. Eram apenas Espíritos em evolução, cumprindo tarefas, sob os desígnios de Deus.

Allan Kardec, em O Céu e o Inferno, refere “que haja seres dotados de todas as qualidades atribuídas aos anjos, disso não se poderia duvidar. A revelação espírita confirma sobre esse ponto, a crença de todos os povos, mas nos faz conhecer, ao mesmo tempo, a natureza e a origem desses seres”.

No caso específico do Espírito Camilo, este foi resgatado diretamente no vale sinistro pela Legião dos Servos de Maria, conforme relatado por suas próprias palavras na obra Memórias de Um Suicida: “Supúnhamos tratar-se, a caravana, de um grupo de homens. Mas na realidade eram Espíritos que estendiam a fraternidade ao extremo de se materializarem o suficiente para se tornarem plenamente percebidos à nossa precária visão e nos infundirem confiança no socorro que nos davam. Trajados de branco, apresentavam-se caminhando pelas ruas lamacentas do Vale, de um a um, em coluna rigorosamente disciplinada (...). Precedia, porém, a coluna, pequeno pelotão de lanceiros, qual batedor de caminhos, ao passo que vários outros milicianos da mesma arma rodeavam os visitadores, como tecendo um cordão de isolamento, o que esclarecia serem estes muito bem guardados contra quaisquer hostilidades que pudessem surgir do exterior. Com a destra o oficial comandante erguia alvinitente flâmula, na qual se lia, em caracteres também azul-celeste, esta extraordinária legenda, que tinha o dom de infundir insopitável e singular temor: - LEGIÃO DOS SERVOS DE MARIA”.

O que se sabe, mediante o ensinamento trazidos pelos Espíritos que se comprazem em auxiliar aqueles que buscam servir a Jesus humildemente, é que o Espírito foi criado simples e ignorante, sem conhecimentos e sem a consciência do bem e do mal, mas com aptidão a adquirir tudo o que lhe falta. Igual a uma criança, nas fases primeiras de sua existência, é falível. Kardec relata que Deus não lhe dá a experiência, mas lhe dá os meios de adquiri-la. É assim que, pouco a pouco, se desenvolve, se aperfeiçoa e avança na hierarquia espiritual, até que tenha alcançado o estado de puro Espírito, ou anjo.

É importante que se diga, também, que “antes de atingirem esse grau supremo, gozam de uma felicidade relativa ao seu adiantamento, mas essa felicidade não é a ociosidade; é a das funções que apraz a Deus confiar-lhes e que são felizes em desempenhá-las, porque essas ocupações são um meio de progredirem” (O Céu e o Inferno, p. 73).

Ora, Deus jamais esteve inativo, ao contrário, Ele sempre tem Espíritos, experimentados e esclarecidos, para a transmissão das suas ordens e para a direção de todas as partes do Universo, não teve, pois, necessidade de criar seres privilegiados, isentos de obrigação. Todos, inclusive nós outros, conquistaram e conquistam seus graus na luta que melhor lhe apraz.

Estamos em igualdade de condições com todos os seres criados pelo Pai. O que nos diferencia, porém, são nossas próprias escolhas, porque até mesmo nisso Deus é perfeito, jamais retirou-nos o livre-arbítrio. E na utilização deste, é que ainda nos mantemos atrasados e com dificuldades para colocar em prática as leis do amor e da caridade para com o nosso próximo, divulgada com muito carinho pelo Mestre Jesus há mais de dois mil anos.

Pior que isso, nos revoltamos, como crianças rebeldes que ainda somos, com os desígnio de Deus, porque ainda não entendemos o propósito maior. Temos, ainda, uma visão deturpada e turva, tal e qual o nosso Espírito amigo Camilo detinha à época que resolveu pôr termo à sua existência que, ao contrário do que parecia, era uma oportunidade única de se refazer e galgar degraus mais altos em sua evolução.

Roguemos ao Pai os “olhos de ver” para que possamos focar no todo, no eterno, no perene. Peçamos ao Pai a graça de poder observar dentro de nós mesmos, no intuito de que nos indaguemos se não somos os culpados pelas mazelas enfrentadas. Que o Pai nos conceda, em Sua infinita bondade, olhos para observarmos que os nossos sofrimentos não são causados pelo próximo, são causados pelo nosso orgulho e o nosso egoísmo, os quais são antagônicos à humildade e à caridade. Afinal, somos o espelho dos nossos algozes, pois só conseguimos visualizar neles aquilo que ainda possuímos arraigados em nosso coração.

Irmãos, como o Mestre Jesus um dia nos pediu, nos rebaixemos agora, para que possamos ser elevados, com méritos e louvores, por estas criaturas Divinas, denominadas por nossa pobre linguagem de anjos, num futuro não muito longe, no Reino de Deus, onde o nosso cartão de entrada será o bem que tivermos praticado ao nosso próximo e a nós mesmos.

Como bem disse Emmanuel, através da santa mediunidade de Francisco Cândido Xavier: “O bem que tiveres praticado em algum lugar, será teu advogado em toda parte”.


(fonte: http://bagespirita.blogspot.com/)

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

O ELO ENCONTRADO



ENRIQUE ELISEO BALDOVINO
henriquedefoz@uol.com.br

No ano de 2011 tivemos a honra de homenagear o Sesquicentenário de O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec, isto é, os 150 anos do lançamento desse Livro monumental – uma das Obras Básicas do Pentateuco Kardequiano –, volume lançado na terça-feira, 15 de Janeiro de 1861, em Paris, por Didier e Companhia, livreiros-editores (35, Quai des Augustins), e por Ledoyen, livreiro (Galerie d’Orléans, 31, no Palais-Royal).

Seguimento de O Livro dos Espíritos

Há vários anos chamam-nos a atenção as palavras colocadas pelo ínclito Codificador no frontispício de Le Livre des Médiums, que servem de epígrafe ao nosso artigo, cujo original francês citamos a seguir de forma completa:

«Le Livre des Médiums ou Guide des Médiums et des Évocateurs, contenant l’enseignement spécial des Esprits sur la théorie de tous les genres de manifestations, les moyens de communiquer avec le monde invisible, le développement de la médiumnité, les difficultés et les écueils que l’on peut rencontrer dans la pratique du Spiritisme, POUR FAIRE SUITE au Livre des Esprits, par Allan Kardec». (Destaques nossos.) (2)

A tradução é a seguinte:

«O Livro dos Médiuns ou Guia dos Médiuns e dos Evocadores, contém o ensino especial dos Espíritos sobre a teoria de todos os gêneros de manifestações, os meios de comunicação com o mundo invisível, o desenvolvimento da mediunidade, as dificuldades e os escolhos que se podem encontrar na prática do Espiritismo, CONSTITUINDO O SEGUIMENTO de O Livro dos Espíritos, por Allan Kardec». (Destaques nossos.) (1)

A expressão francesa pour faire suite a significa: constituir o seguimento de, dar sequência a, ser a continuação de (3) etc. O mestre de Lyon era muito preciso em suas palavras, e cada vez que lemos e estudamos suas obras codificadas emocionamo-nos sobremaneira, não somente com o sublime conteúdo científico, filosófico e religioso da Doutrina Espírita, senão também com a elevada forma de linguagem exposta pelos Espíritos superiores e pelo próprio Codificador, nos seus brilhantes comentários e na sua didática ímpar.

1ª edição rara de O Que é o Espiritismo

Na 1ª e rara edição francesa (93 páginas no original) da Obra Qu’est-ce que le Spiritisme, publicada por Kardec no mês de Julho de 1859, em Paris (Ledoyen, livreiro, e bureau da Revue Spirite, Imprimerie do Sr. Beau, em Saint-Germain-en-Laye), livro que hoje encontramos na internet (4), achamos uma REVELADORA INFORMAÇÃO nas folhas finais, usadas pelo editor, pela imprimerie e pela typographie (o que seriam as gráficas atuais), à guisa de catálogo, onde estão registradas várias páginas publicitárias dos próximos lançamentos a serem colocados à venda.

Entre as páginas 97 a 100 da referida 1ª edição de O Que é o Espiritismo, constatamos a divulgação de um sumário ou Índice Geral de Le Livre des Esprits, com os seus respectivos Livros ou Partes, seguidos por todos os seus capítulos em extenso. Ao chegarmos à página 100, e depois de lermos os preciosos temas do LIVRE PREMIER – Las Causes Premières (LIVRO PRIMEIRO – Das Causas Primárias), do LIVRE DEUXIÈME - Monde spirite ou des Esprits (LIVRO SEGUNDO – Do mundo espírita ou mundo dos Espíritos), do LIVRE TROISIÈME - Lois Morales (LIVRO TERCEIRO - Das leis morais) e do LIVRE QUATRIÈME - Espérances et consolations (LIVRO QUARTO – Das esperanças e consolações), lemos o seguinte com atenção e com grande emoção:

LIVRE CINQUIÈME - Manifestation des Esprits (LIVRO QUINTO - Manifestação dos Espíritos). (4)

Ficamos realmente admirados ao constatar que o Codificador tinha a intenção de adicionar mais um Livro ou Parte à nova edição de Le Livre des Esprits, com o fim de desenvolver temas relativos às manifestações mediúnicas e aos médiuns, dando assim SEQUÊNCIA ao universo de temas proposto pelo Espiritismo. Mas depois, por conselho dos Espíritos ou por outras razões, optou por fazer esse SEGUIMENTO em uma nova obra específica, O Livro dos Médiuns, tendo a mediunidade como objeto de estudo.

Raro e histórico fac-símile

Apresentamos a seguir o raro e histórico fac-símile do mencionado LIVRE CINQUIÈME (página 100, nas folhas finais publicitárias da 1ª edição de Qu’est-ce que le Spiritisme), junto de nossa tradução, do francês para o português, dos 8 capítulos do LIVRO QUINTO não publicado, que se pretendia anexar a Le Livre des Esprits (o que terminou por não acontecer), onde podemos observar interessantes temas mediúnicos abordados, de grande atualidade doutrinária.


Lembramos que até a época referida (Julho de 1859), somente havia sido publicada uma só edição do Livro Luz: a 1ª e histórica edição de Le Livre des Esprits, no sábado, 18 de Abril de 1857, com 501 questões e 3 PARTES ou LIVROS (Paris, livreiro E. Dentu, Palais-Royal, Galerie d’Orléans, 13 - Imprimerie do Sr. Beau, em Saint-Germain-en-Laye), cujo capítulo X da 1ª Parte chamava-se também Manifestation des Esprits (questões 200 a 276 da 1ª edição).

No contexto da aparição deste raro fac-símile, estamos entre o mês de Julho de 1859 e o mês de Março de 1860, sendo que esta última data é da publicação da 2ª e definitiva edição de O Livro dos Espíritos, inteiramente refundida e consideravelmente aumentada, tal qual hoje a conhecemos, contendo as 1019 questões e os 4 LIVROS ou PARTES (Paris, Didier et Cie, et Ledoyen - Imprimerie de P.-A. Bourdier et Cie, rue Mazarine, 30).

Aviso sobre esta nova edição

É o próprio Allan Kardec quem explica a nova distribuição das matérias na reimpressão de O Livro dos Espíritos, somente na forma metódica e não nos princípios da Doutrina, que não sofreram nenhuma alteração, como ele mesmo registra neste precioso Aviso (5), orientado pelos Espíritos da Codificação:

«[...] Preferimos esperar a reimpressão do livro para fundir tudo conjuntamente, aproveitando, para conferir à distribuição das matérias, uma ordem muito mais metódica e suprimindo, ao mesmo tempo, tudo quanto estava repetido. Esta reimpressão pode, pois, ser considerada obra nova, embora os princípios não hajam sofrido nenhuma alteração, salvo pequeníssimo número de exceções, que são antes complementos e esclarecimentos do que verdadeiras modificações. [...]».

E no parágrafo final do citado Aviso, o Codificador revela o próximo e histórico lançamento da nossa Obra homenageada – O Livro dos Médiuns –, explicando porque esta Obra constitui o SEGUIMENTO de O Livro dos Espíritos:

«[...] O ensino relativo às manifestações propriamente ditas, e aos médiuns, forma, de certo modo, uma parte distinta da filosofia, podendo ser objeto de um estudo especial. Havendo tal parte recebido desenvolvimentos bastante consideráveis em consequência da experiência adquirida, julgamos por bem fazer dele UM VOLUME DISTINTO, o qual contém as respostas dadas a todas as questões relativas às manifestações e aos médiuns, bem como numerosos comentários sobre o Espiritismo prático. Essa obra será a CONTINUAÇÃO ou o COMPLEMENTO de O Livro dos Espíritos». (Destaque nosso em caixa alta, e letra itálica no original.) (6)

Ao encerrar este Avis sur cette nouvelle édition, na 2ª edição de Le Livre des Esprits, o Codificador coloca a seguinte e valiosa Nota de rodapé da sua autoria: «No prelo», referindo-se à futura publicação de O Livro dos Médiuns (15/01/1861). (7)

Preciosa e rara Nota de Kardec em Prolegômenos

Em outra preciosa Nota de Allan Kardec, agora em Prolegômenos (8), o Codificador assim se expressa sobre a citada 2ª edição de O Livro dos Espíritos:

«[...] O material foi organizado de maneira a apresentar um conjunto regular e metódico, e não foi entregue à publicidade senão depois de ter sido revisto cuidadosamente, várias vezes seguidas, e corrigido pelos próprios Espíritos. Esta segunda edição também mereceu, da parte deles, novo e meticuloso exame. [...]». (Grifos nossos.)

Todos os 11 capítulos da Parte Segunda (“Do mundo espírita ou mundo dos Espíritos”) da 2ª edição definitiva de O Livro dos Espíritos serão desdobrados e ampliados magistralmente em O Livro dos Médiuns, com uma beleza extraordinária. Hoje sabemos, pelos estudos aprofundados desses assuntos, que Le Livre des Médiums teve a sua origem doutrinária nessa 2ª Parte de Le Livre des Esprits. O confrade Vital Cruvinel, no seu site, (9) chama àquela edição que não chegou a ser publicada, onde consta a 5ª Parte (Livre Cinquième) de O Livro dos Espíritos, como “a edição perdida”.

Nós preferimos chamá-la “o Elo encontrado”, porque constitui o seguimento, a sequência natural, o complemento, a continuação da lógica do pensamento Kardequiano, orientado pelos Espíritos Superiores da Codificação, a fim de desdobrar aqueles 8 referidos capítulos em nada menos que 36 novos capítulos (1ª e 2ª Partes de O Livro dos Médiuns), com 350 itens e mais de 500 páginas no original francês, Obra magna que hoje homenageamos, (10) agradecendo a Deus, a Jesus e a Kardec pelas bênçãos contidas nestas páginas imortais, que 150 anos depois continuam iluminando o roteiro e a seara dos médiuns em sua relação com os encarnados e com o Mundo Invisível.


Referências bibliográficas:

(1) KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 1. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2008. Frontispício.

(2) KARDEC, Allan. Le Livre des Médiums. 1ère édition. Brasília: EDICEI, 2008. Frontispício.

(3) PELAYO, Ramón García-, TESTAS, Jean. Dictionnaire Français-Espagnol-Español-Francés. Collection Saturne, 976 pp. 2ème édition. Paris: LAROUSSE, 1989. Página 705, verbete: suite.

(4) KARDEC, Allan. Qu’est-ce que le Spiritisme. 1ère édition. Paris: Ledoyen, 1859. Disponível em: http://books.google.com.br/

(5) KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Trad. Evandro Bezerra. 2. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Aviso sobre esta nova edição, pp. 21-22.

(6) –––––––. ––––––––. Com notas de rodapé de Kardec e do tradutor, p. 22.

(7) MUNDO ESPÍRITA. O Elo encontrado. Artigo comemorativo de Enrique Eliseo Baldovino. Junho de 2011, nº 1523, ano 80, pp. 23-25. Curitiba/PR: FEP, 2011.

(8) KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Trad. E. Bezerra. 2. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Prolegômenos, pp. 72-73, com nota do tradutor, p. 72.

(9) Disponível em: .

(10) PRESENÇA ESPÍRITA. O Elo encontrado. Artigo comemorativo de Enrique E. Baldovino. Julho/agosto de 2011, ano XXXVII, nº 285, pp. 46-51. Salvador/BA: LEAL, 2011.

(fonte: http://www.oconsolador.com.br/ano5/242/especial.html)


(Tradução do francês para o português de Enrique Eliseo Baldovino.)

LIVRO QUINTO
Manifestação dos Espíritos

Capítulo I – Diferentes naturezas de manifestações. – Manifestações materiais, inteligentes, visuais. – Aparições. – Teoria das aparições e das manifestações materiais.



Capítulo II – Diferentes modos de comunicação. – Sematologia. – Tiptologia. Tiptologia alfabética. – Pneumatofonia. – Psicografia. – Pneumatografia ou escrita direta. – Pneumatologia.



Capítulo III – Dos médiuns. – Dos médiuns em geral. Médiuns de efeitos físicos, escreventes ou psicógrafos mecânicos, intuitivos, falantes, videntes, inspirados, sensitivos. – Papel e influência do médium; suas qualidades. – Médiuns obsidiados. – Influência do meio.



Capítulo IV – Características distintivas dos Espíritos nas manifestações. – Estado e natureza dos Espíritos que se manifestam. – Identidade dos Espíritos. – Meios de afastar os Espíritos maus nas comunicações.



Capítulo V – Contradições na linguagem dos Espíritos.



Capítulo VI – Comunicações espíritas. – Das questões que se podem dirigir aos Espíritos. – Do conhecimento do futuro. – Revelação das diferentes existências. – Conselhos sobre os interesses terrestres. – Pesquisas científicas. – Descoberta de tesouros.



Capítulo VII – Das evocações. – Condições gerais. – Evocações coletivas. – Evocações especiais: de Espíritos puros, de homens ilustres, de parentes, de amigos, de pessoas no instante da morte, de crianças, de Espíritos encarnados em outros mundos. – Evocação de pessoas vivas. – Telegrafia humana.



Capítulo VIII – Teogonia dos diferentes povos. – Politeísmo. – Mitologia. – Fadas, gênios, gnomos. – Sibilas, oráculos, mistérios. – Feiticeiros, adivinhos, crisíacos.




terça-feira, 10 de janeiro de 2012

CRONOLOGIA ESPÍRITA


Ao estudioso do Espiritismo vale a pena conferir a Cronologia escrita pelo confrade Carlos Alberto Iglesia Bernardo, publicada pelo Grupos de Estudos Avançados Espíritas, disponível em: http://www.geae.inf.br/pt/livros/cronologia/

Boa leitura!

terça-feira, 3 de janeiro de 2012