terça-feira, 10 de julho de 2012

A prodigiosa mediunidade de Augustin Lesage, humilde mineiro e pintor espírita (1876-1954)



Publicado em 20/03/2011 


Augustin Lesage (1876-1954)

Humilde e prestigiado servidor da arte mediúnica, expôs as suas telas surpreendentes de beleza e de luz, não obstante a sua avançada idade.

Deixemos que ele mesmo se nos apresente:



“…Chamo-me Augustin Lesage, nascido a 9 de Agosto de 1876, em St Pierre les Auchel, perto de Béthune, no Pas-de-Calais. O meu pai era mineiro, pois que vivia nesta região de minas. Andei na escola primária de St-Pierre-les-Auchel até à idade de 14 anos, altura em que fui a trabalhar nas minas. Conheci ali o mais duro trabalho, durante 27 anos; deixei a mina a 23 de Julho de 1923.

Foi em Janeiro de 1912 que os poderosos Espíritos vieram manifestar-se-me, ordenando que desenhasse e pintasse, coisa que jamais havia feito anteriormente. Nunca tendo visto, até esse momento, um simples tubo de tinta para pintar, imaginem a minha surpresa perante tal revelação.

Ignoro completamente seja o que for a respeito de pintura.

- Não te inquietes por causa desse pormenor insignificante, responderam os espíritos. Seremos nós a conduzir as tuas mãos.

Recebi então, por escrito, o nome das cores e dos pincéis de que necessitava e comecei a pintar sob a influência dos artistas do além, sempre que chegava a casa extenuado depois do trabalho na mina. Tal fadiga, contudo, desaparecia quando me encontrava sob a influência dos espíritos.

Recebo sempre, por escrito, conselhos favoráveis a respeito dos trabalhos, que executo sem modelo, o que é uma grande facilidade para mim, por não ter de procurar compreender, visto que as composições não são de minha autoria. Sou apenas a mão que executa e não o cérebro que concebe o que faço.

Pinto sempre desperto, mas sem poder estar na presença de quem quer que seja. Represento aquilo que os vivos não podem ver, enquanto que os artistas pintores representam o que a natureza coloca perante o seu olhar. Permaneço em relação permanente com os nossos queridos amigos do além, que me trazem grandes revelações. Raros são aqueles que concebem a fé vivida com esses espíritos, não material, mas espiritualmente.

Nada compreendo da confusão de cores diversas que aplico sobre a tela. De acordo com os conselhos que dão os meus amigos do espaço, as obras que executo representam todas as religiões associadas do passado logínquo. Tais enigmas serão por nós conhecidos um dia. De momento podemos chamer-lhe “pintura nova”…”

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Texto escrito por Augustin Lesage em Barbuse (Pas-de-Calais) a 20 de Maio de 1925

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Este depoimento, de autoria do próprio Augustin Lesage foi confirmado por declarações emitidas por entidades independentes e organismos públicos, além de ser do conhecimento de muitos vizinhos e de grande quantidade de personalidades do mundo artístico e cultural com que o mesmo se relacionou ao longo da sua vida. Entre os quais, os seguintes:

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“… o Presidente da Câmara da comuna de Burbure certifica que o Senhor Augustin Henri Lesage, aqui residente, nascido em Auchel no dia 9 de Agosto de 1876, exerceu sempre a profissão de mineiro e nunca frequentou nenhuma escola de desenho ou de pintura. Assinado em Burbure a 22 de Maio de 1925 pelo Maire Decroix…”

“…O abaixo assinado Emile Lacroze, engenheiro, director das minas de Ferfay-Cauchy, declara que Augustin Henri Lesage trabalhou como mineiro nas nossas explorações, de 23 de Agosto de 1890 a 14 de Novembro de 1897, (serviço militar), de 27 de Setembro de 1900 a 12 de Julho de 1913 e de 11 de Março de 1916 a 6 de Julho de 1923. Ass. 22 de Maio de 1925…”

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De 7 a 14 de Junho de 1953 foram expostas na “Maison des Spirites”, situada no nº 8 da Rue de Copernic, em Paris, várias obras de Augustin Lesage, o mineiro pintor.

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“…Observar-se-á nas obras qualquer coisa de completamente diferente de uma habilidade adquirida pela prática manual continuada que pudesse servir uma documentação recolhida aqui e ali e engenhosamente interpretada.

Aquilo que caracteriza a sua arte é incontestavelmente a invenção, e – em verdade – é impossível conceber de acordo com o raciocínio corrente como poderá Lesage, ao longo dos anos e isolado na localidade onde viveu, longe de qualquer fonte de informação, ter adquirido primeiro uma destreza técnica tal, e depois o conhecimento de utilização dos temas decorativos de que se serve – os quais evocam – com toda a originalidade pessoal e novidade – reminiscências persas e hindus.

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Como poderá o extenuado mineiro, finda a sua jornada de trabalho, ter regressado para defronte da sua tela com capacidade para construir com pinceladas fáceis e subtis, esses pagodes fantásticos, e desenrolar seus bordados soberbos, associar harmonias cromáticas e coordenar tão enorme variedade de combinações gráficas?…”

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Quando pela primeira vez o médium se exercitou numa tarefa que ele julgava impossível, serviu-se – aconselhado pelas “vozes” e pelas mensagens escritas – de uma tela de 9 metros quadrados. Para começar era uma audácia. Estendeu-a como pôde, na sala inferior da casa, transformada em atelier. Era forçado, aliás, a tê-la parcialmente enrolada, de modo a poder avançar com o trabalho, dado que as dimensões da tela eram tais que excediam o tamanho do compartimento. As mensagens inspiradoras também lhe tinham dado instruções relativas à compra das tintas de óleo e respectivas cores, dos pincéis e dos godés nos quais diluía as cores com essência. Fora-lhe dado igualmente conselho de se ajoelhar e de orar, tal como fazia Fra Angelico, antes de iniciar o seu trabalho de pintor.

A partir desse momento o trabalho tornava-se fácil: empunhar ao acaso um pincel e erguer uma mão que um tremor súbito anima, colher tinta de um dos godés e, em gestos agora firmes, pigmentar a composição, já começada, de pequenos pontos, cuja justaposição, no seu conjunto, determina o conjunto das formas e define as gradações de cor e os detalhes da obra.

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Trabalho de uma extrema lentidão e de rigor impressionante. Labor de miniaturista, de iluminura, ocupava decorativamente vastas superfícies, porventura concebidas para um trabalho a fresco. Contudo, à força de preserverança, de dócil impassibilidade, Lesage acaba por cobrir toda a tela até ao limite das suas margens, sem esquecer, durante a execução, os retoques, repetições e rectificações que não derivam de seu motu próprio, mas da orientação do espírito artista ao qual obedece o artesão respeitoso. Estas referências e acentuações não são a parte menos extraordinária do trabalho. Sucede por vezes que o “inspirador” insatisfeito consigo mesmo, retém o pincel, durante várias semanas, sobre uma superfície de alguns centímetros quadrados, sempre, sempre rectificando as linhas e a coloração, correndo o risco de empastar ou produzir a confusão.

Não se passa nada diso. Os detalhes assim aprofundados são frequentemente os mais notáveis, pela sua estrutura de mosaic e o seu gosto cromático. É com espanto que se descobrem alusões à paleta e aos tons pastel do grande visionário que foi Odilon Redon.

Não é exagero dizer-se que no tempo presente, ninguém poderia inventar ritmos ornamentais, com tal fantasia e riqueza. Tais são os que criou o pincel de Lesage, achados com tanta felicidade, que os criadores de rendas de Calais vieram a Burbure procurar ideias para novos modelos.

Que ali não se busquem regras de composição escolástica. Nem mais ciência no equilíbrio de volumes que no jogo de valores. Poderia falar-se de valores. Ou de ramos de flores, de vagas iridiscentes e de vibrações luminosas.

Perto, arquitecturas atrevidas, acentuadamente alinhadas e fantasticamente sobrepostas; pés-direitos que sustêm arcadas, cúpulas às quais se associam galerias de onde se projectam abóbadas, recortadas por pilares incrustados de pedrarias, que conduzem a miradouros, ameias e lanternins. Nestas estruturações acontece que uma cripta sustem uma nave e os seus altares, contudo, sem obediência à realidade. Lesage (ou o espírito, mais propriamente) ultrapassa as circunstâncias, zomba da resistência dos materiais, cria a instabilidade, lança um piso imenso sobre uma cúpula central, reedifica um segundo templo por cima dum primeiro. Um arquitecto rir-se-ia. Um pedreiro diria: “é impossível!”; un decorador exclamaria: “é improvável, mas com estilo, brilhantismo e um emaranhado que encanta a vista!…”

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M. Cassiopée.

Extrait de la Revue Spirite de Mai-Juin 1953.

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“…Em geral as coisas são vistas em corte. O olhar do espectador mergulha no interior de um movimento prodigioso, ali se perde e se conduz no entanto através de uma multiplicidade de artérias, de capelas e naves laterais, onde se mostram – em tonalidades neutras – misteriosas neblinas nas quais flutuam cintilantes painéis, caixotões e nervuras, nas quais se dispersam em leves grinaldas – pérolas, corais, safiras, esmeraldas e rubis.

Lesage teve, pelo menos, duas fases, precedidas de uma primeira, feita um tanto às apalpadelas, que produziu painéis que se encontram expostos em diversas instituições, à maneira de estuques relevados nos quais se encontra toda a delicadeza e as cores aveludadas de um Vuillard. A primeira fase é menos sensacional que a segunda.

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Como artista, “Augustin Lesage apresenta-nos um dos mais belos casos de mediunidade pictórica …”

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“…atingiu uma arte depurada, lúcida, suave, leve, onde a invenção decorativa retoma curso livre com à-vontade e variedade, extremamente sedutora, pela franqueza de toques feitos em geito de esmalte. É-se levado a pensar que talvez o artista mineiro tenha tido dois “guias” pintores, o que não é hipótese sem fundamento.

No dia em que visitámos em Burbure o atelier do médium, exprimimos essa opinião ao comparar as telas antigas com as actuais. Lesage teve imediatamente uma comunicação psicografada, cujos termos elucidavam que o pintor tinha sido conduzido na execução da sua obra por duas entidades distintas, uma delas dedicada aos temas arquitectónicos e outra para a vertente puramente decorativa. As nossas suposições foram desse modo confirmadas e bem assim o facto de os seus inspiradores serem de origem asiática, o que se encontrava esclarecido na já mencionada comunicação: a primeira entidade era Indu e a segunda vivera muito tempo no Extremo Oriente…”



A história da Colheita Egípcia

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Um facto mais do que marcante, nós diríamos revelador, é o da história da “Colheita Egípcia”.

Em Outubro de 1938, Augustin Lesage começou a tela da “Colheita Egípcia”. Terminou-a dois meses depois, em Dezembro.

As suas disponibilidades financeiras mantinham-se escassas, fiéis à definição que Allan Kardec fornecia da mediunidade de que o que é um dom da mediunidade não é para ser objecto de negócio.

Bela lição para aqueles que, nos nossos dias, se proclamam mestres em ciências do espiritismo e que fazem negócio com ele.

Sabe-se que a coberto das interpretações de tais “mestres”, a mediunidade é afastada do seu sentido espiritual. Para isso fazem uso da palavra “parapsicologia” e de outras designações,  para enganar todos aqueles que desejam compreender o sentido cristalino da alma tal como era entendido por Allan Kardec.

Saberão escutar as suas vozes interiors? Saberão o que é de facto a mediunidade?

Desejamos que sim muito fraternalmente, antes de mais por si próprios, e por uma questão de respeito por tudo aquilo que recebemos do mundo espiritual, portanto da fonte divina.

Regressemos contudo a Augustin Lessage, num dia de 1939, em que almoçava com seu amigo Fournier. Foi informado que a Associação Guillaume Budé estava a organizar um cruzeiro ao Egipto e de que esse mesmo amigo lhe oferecia a viagem.

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Marie-Christine Victor conta no seu livro:

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“…Em Marselha, no dia 29 de Fevereiro de 1939, ao meio dia, Augustin Lesage embarcou com o seu amigo Fournier no navio “El Mansour” (…). Teve oportunidade de conhecer a bordo um egiptólogo de nomeada que se manifestou muito interessado na obra que descobrira por ter visto uma dúzia de quadros seus, dentre os quais a “Colheita Egípcia”.

- Porque é que atribui tanta importância a esta última tela? Perguntou ao velho mineiro.

- Porque, respondeu ele, não é apenas da última que pintei, mas porque os meus guias me revelaram que eu iria reencontrar o fresco da época egípcia que representam os trabalhos da colheita…”.

“…o egiptólogo não partilhou essa opinião, derivada mais de um acto de fé que de um processo científico, dado que apenas é científico e válido aquilo que é material e tangível. Não acreditou pois um só instante que a tela de Lesage pudesse ser outra coisa que não produto da sua imaginação ou dos seus fantasmas. O artista não ficou minimamente impressionado pelo espírito científico do seu companheiro de viagem e preferiu tomar a atitude prudente de quem está tomado pela certeza profunda, logo, fora do comum…”

“… No Domingo 26 de Fevereiro chegámos a Alexandria e no dia imediato ao Cairo. Foi a tomada de conctacto com o Egipto moderno.

…arqueólogos franceses tinham por missão acompanhar e dar explicações aos turistas dos quais fazia parte Augustin, a respeito da história e do significado dos monumentos da época faraónica…”

“…Augustin viu a imensa estátua de Ramsés II caída na areia, e a esfinge de Memfis, a pirâmide de Sakkarah, construída 5000 anos antes da nossa era, no tempo do rei Toser. Por fim as grandes pirâmides de Kéops, Kefren e Mikerinos, a grande esfíngie de Gizé, conhecida em todo o mundo. Experimentou um sentimento profundo:

- Como se tudo aquilo fosse para mim mais do que uma curiosidade, como se as pedras me fossem familiares, como se esse novo país que nunca tinha visto não me fosse inteiramente desconhecido, causando-me mais um sentimento de apego que de admiração…”

Tal caso não nos surpreende, tendo sucedido o mesmo, mas com muito mais rigor e certeza no caso de Lucienne Marmonnier, igualmente uma artista médium. Para nós, espíritas, é facto adquirido que Augustin Lessage deve ter vivido uma encarnação no Antigo Egipto; de outro modo o sentimento do momento já vivido não teria em si uma tão grande ressonância.

“…Nos dias seguintes visitámos o Museu do Cairo onde se encontram expostos, em especial, todos os objectos encontrados no túmulo de Toutankhamon. No dia 4, Sábado, partimos para o Sul, até à primeira catarata, tendo a visita ao Alto Egipto começado por Assouan.

Augustin Lesage, depois de ter visitado Luxor e e visto a base sobre a qual estava colocado o obelisco que actualmente se encontra na Praça de la Concorde, em Paris, chegou ao Vale das Rainhas.

Escutemos aquilo que nos contou:

- Dois anos antes, neste vale, fora desenterrada uma pequena povoação. O arqueólogo contou-nos que no tempo de Ramsés II, da XVIII dinastia, cerca de 1.500 anos antes da nossa era, a mesma povoação era habitada por 700 a 800 operários especializados em trabalhos funerários. Tais operários eram preciosos porque os Egípcios davam mais importância à sua morada eterna que às casas em que habitavam durante a sua vida, e que não necessitavam de uma decoração tão rica, dado o curto lapso de tempo que dura a vida.

Um dos operários chamava-se Mena. Encontrámos o seu túmulo, com muitas inscrições e cenas que descrevem o que foi a sua vida. Desse modo ficámos a saber como se chamava. Nos momentos durante os quais não trabalhava na execução dos túmulos oficiais , Mena tinha sido autorizado a trabalhar no seu próprio túmulo, um pouco afastado da localidade. Visitámos esse pequeno túmulo que continha uma vintena de sarcófagos e, de repente, apercebi-me de um fresco bem pintado numa das paredes, bem conservado e – nesse mesmo fresco – reconheci a cena da “Colheita Egípcia”.

“Apoderou-se de mim uma forte e complexa emoção, que teria grande dificuldade em descrever com exactidão. Pareceu-me, de repente, sentir-me muito próximo dessa pequena cena ainda intacta, ao vê-la tão parecida com aquela que havia pintado, e pareceu-me que também eu era o seu autor. Estabeleceu-se entre a pintura e eu uma relação indefinível, sem ser possível esclarecer se tinha acabado de pintá-la ou se apenas a encontrara. Desejei ter ficado junto daquela comovente e fresca pintura mural. Senti-me imobilizado, simultaneamente suspenso e esmagado pela surpresa.”

“…E a alegria, uma imensa alegria me invadiu, como se fosse a de um exilado de regresso ao seu povoado…”

Claro e perceptível se torna que, as coisas a que somos sensíveis, não se encontram no ensino dos livros, mas sim na mais profunda intimidade da alma.

“…Fiquei tomado de entusiasmo, o meu sangue pulsava, era puro e carregado de afecto o ar que respirava dentro do túmulo e a experiência que tivera entrava com toda a nitidez comovida nas minhas recordações, o acontecimento mais claramente marcante da minha vida, de resto, bem repleta de surpresas…”

(…)

No dizer do arqueólogo que nos acompanhava, o túmulo, descoberto havia apenas dois anos, era pouco conhecido e tinha sido até então muito pouco visitado. Acentuou, face às perguntas dos turistas, que não poderiam existir reproduções do fresco em França. O que excluiu a ideia de uma cópia a partir de qualquer revista ou uma reprodução inconsciente depois de leituras feitas sobre o assunto…”

Augustin Lesage concluiu depois esta maravilhosa revelação de uma vida anterior:

“…Compreendo enfim aquela viagem, desejada durante tanto tempo, e que fora impossível até àquele momento. Não era necessário que visitasse o Egipto antes da descoberta do fresco; era necessário que a visse para que ficasse provado que os meus quadros não são o fruto da minha imaginação, e que a minha mão é o instrumento de um cérebro que não é meu…”

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Marie-Christine Victor pensa da seguinte forma:

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“…Como poderia existir trucagem num caso somo este? Como é que um mineiro que não saiu da sua aldeia poderia ter visto e reproduzido um fresco que se encontrava a tantas léguas de sua casa, que até os próprios egiptólogos desconheciam ainda e que, por isso, nenhuma revista poderia ter publicado?…”

É bem entendido que as críticas mais preversas e mais dolorosas para Augustin Lesage não faltaram, mas amar e servir a Deus também é aprender o que está por detrás do sofrimento, e qual o motivo porque, como dizia Santa Teresa de Ávila “há tão poucos amigos”.

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Augustin Lesage dizia:

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“… Não quero enganar ninguém. Não odeio ninguém. Não desejo mal a ninguém… Não desejo nem a riqueza nem a celebridade. Não tenho senão o desejo ardente de ser acreditado, porque aquilo que digo é verdade, porque aquilo que vivi é autêntico. Desejo sobretudo que a mensagem do invisível seja recebida e compreendida por todo o mundo, com o respeito e a admiração que ela não pode deixar de suscitar…”

Marie-Christine Victor afirma que a prece de Lesage não ficou sem resposta (como, de resto, todas as preces sinceras). Os seus guias avisaram-no de que iriam executar um trabalho e que seria necessário convidar um público que viesse vê-lo trabalhar.

A prova seria dada dessa forma de que toda a obra do pintor tinha sido feita de forma honesta e com pureza de intenções.

Desta forma, no dia 24 de Fevereiro de 1947, em Marrocos, pintou uma tela em público. Foi feito nessa altura um abaixo-assinado com 112 assinaturas entre as quais médicos, psiquiatras, professores, jornalistas, comissários de polícia, pintores, arquitectos…”

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Composição Simbólica  do Mundo Espiritual, Augustin Lesage, 1923

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Este artigo foi traduzido do nº 78 de La Revue Spirite, do primeiro trimestre de 2008, de acordo com o texto ali publicado sem referência à autoria do mesmo.


domingo, 27 de maio de 2012

Abortamento Doloso






Aureci Figueiredo Martins, Porto Alegre/RS,

aureci@globo.com

Faze aos outros o que queres que te façam. (Jesus)



Longe de mim a pretensão de convencer a quem quer que seja, mas peço vênia para expressar minha opinião sobre abortamento induzido.

1. A vida é o bem maior e precisa ser protegida pelas leis humanas. Se houver transigência nesta proteção, estaremos a caminho da legalização outros tantos crimes de lesa-vida, como eugenia, eutanásia etc.

2. Admita-se, acertadamente, a provocação do abortamento nos casos em que este for indispensável à preservação da vida da gestante. Mas, afora esta hipótese, penso ser difícil justificar-se a eliminação de seres humanos frágeis e indefesos.

3. Lícita é a utilização de métodos contraceptivos não abortivos, todavia, constatada a gravidez indesejada, impõem-se o respeito à vida e o amparo à gestante.

4. Desde a concepção*, uma vida humana, individual e autônoma, tem seu início: ali está a ligar-se célula a célula um ser humano que se prepara para retornar ao palco da vida física e assim avançar no processo dialético da evolução espiritual: contínua, ascendente e infinita.

5. Entendo que, como seres espirituais, nossa propriedade verdadeira é constituída pelos valores intelectuais e morais – conhecimento, ignorância, virtudes e vícios – e que estamos submetidos a uma lei de evolução que nos induz a constante expansão consciencial.

6. Os bens materiais, inclusive o corpo descartável que animamos, não nos pertencem e, ao final de cada experiência carnal, teremos que prestar contas do uso que deles fizermos.

7. Ainda que, equivocadamente, alguma mulher se presuma dona do seu corpo, como pode ela arvorar-se em proprietária do corpo em formação no seu ventre? Ou melhor, como pode dispor da vida alheia que lhe pulsa no claustro uterino.

8. Nas pessoas sensíveis, um complexo de culpa costuma instalar-se na consciência, maculada pela prática do abortamento dispensável, com reflexos mórbidos no cosmo psicossomático.

9. Sabe-se que, nos países em que vige a legalização da prática do aborto, o número de casos de abortamentos dolosos aumentou enormemente, e há notícias sobre espetáculos macabros nas clínicas abortivas: a comercialização dos restos fetais...

10. Espírita que sou, guardo comigo a convicção de que, nas voltas que nossas vidas dão, inexiste espaço para o acaso: tudo tem uma causa justa e um fim providencial. Como escreveu Albert Einstein, “Deus não joga dados no Universo”; e acrescento: e tampouco na vida humana.

11. Quanto aos fetos anencéfalos, cabe lembrar que a sede do psiquismo não está no cérebro e, sim, no espírito imortal. Nesses e noutros casos de malformação fetal, o reencarnante vivencia experiências necessárias ao refazimento do seu corpo espiritual (perispírito), por ele mesmo danificado em atitudes autodestrutivas de existências pregressas. Cabe, pois, o respeito à vida mesmo diante da perspectiva de inviabilidade/efemeridade de sobrevida ao parto. Por estas e outras razões aqui omitidas é que, excetuada a hipótese do item 2 acima, sou definitivamente contrário à eliminação dos nascituros. Todavia ninguém tem condições de julgar a consciência alheia. Além disso, diante de erros cometidos – e quem não os comete? – não percamos tempo alimentando complexos de culpa: perdoemo-nos e busquemos o amparo da misericórdia divina na prática do Bem: quem agrediu uma vida que ampare outra(s), pois que “o amor cobre a multidão dos erros cometidos” (I Pedro, 4,7).

(*) "Assim que é concebido, um homem é um homem" (Dr. Jerôme Lejeune, geneticista)
 

sábado, 14 de abril de 2012

Anencefalia - Joanna de Ângelis

Nada no Universo ocorre como fenômeno caótico, resultado de alguma desordem que nele predomine. O que parece casual, destrutivo, é sempre efeito de uma programação transcendente, que objetiva a ordem, a harmonia.

De igual maneira, nos destinos humanos sempre vige a Lei de Causa e Efeito, como responsável legítima por todas as ocorrências, por mais diversificadas apresentem-se.

O Espírito progride através das experiências que lhe facultam desenvolver o conhecimento intelectual enquanto lapida as impurezas morais primitivas, transformando-as em emoções relevantes e libertadoras.

Agindo sob o impacto das tendências que nele jazem, fruto que são de vivências anteriores, elabora, inconscientemente, o programa a que se deve submeter na sucessão do tempo futuro.

Harmonia emocional, equilíbrio mental, saúde orgânica ou o seu inverso, em forma de transtornos de vária denominação, fazem-se ocorrência natural dessa elaborada e transata proposta evolutiva.

Todos experimentam, inevitavelmente, as consequências dos seus pensamentos, que são responsáveis pelas suas manifestações verbais e realizações exteriores.

Sentindo, intimamente, a presença de Deus, a convivência social e as imposições educacionais, criam condicionamentos que, infelizmente, em incontáveis indivíduos dão lugar às dúvidas atrozes em torno da sua origem espiritual, da sua imortalidade.

Mesmo quando se vincula a alguma doutrina religiosa, com as exceções compreensíveis, o comportamento moral permanece materialista, utilitarista, atado às paixões defluentes do egotismo.

Não fosse assim, e decerto, muitos benefícios adviriam da convicção espiritual, que sempre define as condutas saudáveis, por constituírem motivos de elevação, defluentes do dever e da razão.

Na falta desse equilíbrio, adota-se atitude de rebeldia, quando não se encontra satisfeito com a sucessão dos acontecimentos tidos como frustrantes, perturbadores, infelizes...

Desequipado de conteúdos superiores que proporcionam a autoconfiança, o otimismo, a esperança, essa revolta, estimulada pelo primarismo que ainda jaz no ser, trabalhando em favor do egoísmo, sempre transfere a responsabilidade dos sofrimentos, dos insucessos momentâneos aos outros, às circunstâncias ditas aziagas, que consideram injustas e, dominados pelo desespero fogem através de mecanismos derrotistas e infelizes que mais o degrada, entre os quais o nefando suicídio.

Na imensa gama de instrumentos utilizados para o autocídio, o que é praticado por armas de fogo ou mediante quedas espetaculares de edifícios, de abismos, desarticula o cérebro físico e praticamente o aniquila...

Não ficariam aí, porém, os danos perpetrados, alcançando os delicados tecidos do corpo perispiritual, que se encarregará de compor os futuros aparelhos materiais para o prosseguimento da jornada de evolução.

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É inevitável o renascimento daquele que assim buscou a extinção da vida, portando degenerescências físicas e mentais, particularmente a anencefalia.

Muitos desses assim considerados, no entanto, não são totalmente destituídos do órgão cerebral.

Há, desse modo, anencéfalos e anencéfalos.

Expressivo número de anencéfalos preserva o cérebro primitivo ou reptiliano, o diencéfalo e as raízes do núcleo neural que se vincula ao sistema nervoso central…

Necessitam viver no corpo, mesmo que a fatalidade da morte após o renascimento, reconduza-os ao mundo espiritual.

Interromper-lhes o desenvolvimento no útero materno é crime hediondo em relação à vida. Têm vida sim, embora em padrões diferentes dos considerados normais pelo conhecimento genético atual...

Não se tratam de coisas conduzidas interiormente pela mulher, mas de filhos, que não puderam concluir a formação orgânica total, pois que são resultado da concepção, da união do espermatozoide com o óvulo.

Faltou na gestante o ácido fólico, que se tornou responsável pela ocorrência terrível.

Sucede, porém, que a genitora igualmente não é vítima de injustiça divina ou da espúria Lei do Acaso, pois que foi corresponsável pelo suicídio daquele Espírito que agora a busca para juntos conseguirem o inadiável processo de reparação do crime, de recuperação da paz e do equilíbrio antes destruído.

Quando as legislações desvairam e descriminam o aborto do anencéfalo, facilitando a sua aplicação, a sociedade caminha, a passos largos, para a legitimação de todas as formas cruéis de abortamento.

... E quando a humanidade mata o feto, prepara-se para outros hediondos crimes que a cultura, a ética e a civilização já deveriam haver eliminado no vasto processo de crescimento intelecto-moral.

Todos os recentes governos ditatoriais e arbitrários iniciaram as suas dominações extravagantes e terríveis, tornando o aborto legal e culminando, na sucessão do tempo, com os campos de extermínio de vidas sob o açodar dos mórbidos preconceitos de raça, de etnia, de religião, de política, de sociedade...

A morbidez atinge, desse modo, o clímax, quando a vida é desvalorizada e o ser humano torna-se descartável.

As loucuras eugênicas, em busca de seres humanos perfeitos, respondem por crueldades inimagináveis, desde as crianças que eram assassinadas quando nasciam com qualquer tipo de imperfeição, não servindo para as guerras, na cultura espartana, como as que ainda são atiradas aos rios, por portarem deficiências, para morrer por afogamento, em algumas tribos primitivas.

Qual, porém, a diferença entre a atitude da civilização grega e o primarismo selvagem desses clãs e a moderna conduta em relação ao anencéfalo?

O processo de evolução, no entanto, é inevitável, e os criminosos legais de hoje, recomeçarão, no futuro, em novas experiências reencarnacionistas, sofrendo a frieza do comportamento, aprendendo através do sofrimento a respeitar a vida...

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Compadece-te e ama o filhinho que se encontra no teu ventre, suplicando-te sem palavras a oportunidade de redimir-se.

Considera que se ele houvesse nascido bem formado e normal, apresentando depois algum problema de idiotia, de hebefrenia, de degenerescência, perdendo as funções intelectivas, motoras ou de outra natureza, como acontece amiúde, se também o matarias?

Se exercitares o aborto do anencéfalo hoje, amanhã pedirás também a eliminação legal do filhinho limitado, poupando-te o sofrimento como se alega no caso da anencefalia.

Aprende a viver dignamente agora, para que o teu seja um amanhã de bênçãos e de felicidade.


(Página psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco, na reunião mediúnica da noite de 11 de abril de 2011, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.)