O vídeo foi postado em cinco partes. Na minha opinião vale a pena ouvir um dos mais "belos traços do Espiritismo", como diria Kardec, nas Terras do Cruzeiro.
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Verdades e Verdade
Larissa Carvalho
Historiadora
No capítulo XXI do Evangelho Segundo o Espiritismo, o espírito Luís transmite uma esclarecedora mensagem que contém, em seu âmago, a seguinte frase: “Desconfiai dos que pretendem ter o monopólio da verdade! Não, não, o Cristo não está entre esses, porquanto os que ele envia para propagar a sua santa doutrina e regenerar o seu povo serão, acima de tudo, seguindo-lhe o exemplo, brandos e humildes de coração”.
Esse alerta do espírito Luís refere-se aos falsos Cristos e falsos profestas, mas o monopólio da verdade, na atualidade, não é apenas reivindicado por um sujeito em especial, mas muitas vezes por instituições de muitos indivíduos que pensam usufruir do monopólio da verdade. Vemos isso em associações científicas, em credos religiosos variados, em grupos teórico-doutrinários que pensam serem os únicos detentores do saber absoluto, da verdade universal. Ela, a verdade, não é monopólio de alguns, mesmo que estes considerem-se e sejam considerados, aos olhos materiais do mundo, como notáveis e mesmo sábios.
As palavras do Espírito são claras. Ele nos alerta para desconfiarmos dos que pretendem ter o monopólio da verdade. Isto é, daqueles que se acham os seus únicos detentores. A verdade, assim definida, não é apenas de um grupo, ou de alguns sujeitos. Não são apenas alguns indivíduos que a possuem. Diz um provérbio oriental que a verdade é um espelho que caiu das mãos de Deus aqui na Terra e se espatifou. Cada um de nós toma de um pedaço e crê que toda a verdade está neste caco. Cada um de nós possuímos um “caco” de verdade que é, em realidade, aquilo que refletimos na “verdade” que tomamos para nós, ou seja, enxergamos a verdade mediados pelo nosso modo particular de ver o mundo, pela educação que recebemos, pela cultura em que estamos imersos, pelas experiências reencarnatórias que adquirimos ao longo de nossas vidas sucessivas.
Além do que, conforme nos alerta o Espírito Pascal em comunicação publicada na Revista Espírita de maio de 1865, “há duas verdades: a verdade relativa e a verdade absoluta; a verdade relativa é o que é; a verdade absoluta é o que deveria ser” . O que significa que aquilo que temos como verdade hoje, deve ser sempre inserida em seu contexto histórico-social, diz respeito as coisas mutáveis do mundo. Já a verdade absoluta está intrinsecamente ligada a perfeição do Pai Celeste, portanto, imutável, mas também inalcançável para nós outros.
Assim, não nos é permitido condenar a “verdade” de um irmão, ridicularizando-o por isso ou usando de intolerância para com nosso próximo. Todos possuímos cacos de verdade que somente unidos representarão uma imagem mais próxima do que deve vir a ser a verdade absoluta, que rege nossas vidas imortais e nos traz respostas para tudo e para o que ainda nos é oculto. É a partir da união, da fraternidade entre os espíritos encarnados e desencarnados, das trocas de conhecimento moral, intelectual, de experiências no bem que agiremos com eficiência em busca da verdade.
No entanto, o Pai não nos abandona sem farol no oceano de dúvidas que atracarão no porto da verdade absoluta. Em todos os tempos ele nos envia verdadeiros profetas, no sentido lato da palavra, significando aquele que fala das verdades do Pai. Esses, que vem trazer-nos notícias das verdades eternas, aquelas que nos servirão para o futuro imortal, serão humildes e brandos, isto é, não imporão a verdade, mas falarão dela com ternura, reconhecendo sua pequeneza e de toda a humanidade na Terra. Não se acharão melhores que nós outros, mas verão em cada um de nós irmãos. Eles serão modestos , não bradarão que são os detentores da verdade, nem proporão que compartilhemos dessa verdade de forma privilegiada, porque seus ensinamentos serão visíveis e palpáveis a todos homens e mulheres com ouvidos de ouvir. Mas o que realmente bradará aos nossos corações serão seus atos, seus exemplos, que também não serão alardeados, mas por nós serão reconhecidos. É o bom fruto da árvore boa de que fala Jesus .
Francisco Cândido Xavier pode ser considerado um desses profetas de Deus. Como medianeiro da Espiritualidade com os homens, lembrou-nos das verdades espirituais através das vozes dos Espíritos que, através dele, nos deram notícias do Mundo dos Espíritos e nos alertaram quanto ao que devemos realizar para possuir o Reino de Amor e Paz prometido por Jesus. Esse apóstolo da Verdade nunca exigiu que acreditássemos nele, não intitulou-se Mensageiro, Escolhido, mesmo Profeta de Deus, em nenhum momento considerou salvo os espíritas nem alegou que já sabíamos de tudo. Dizia-se um cisco, brincando com seu próprio belo nome, e nessa simplicidade legou-nos um dos maiores exemplos concretos de amor e devoção ao próximo.
Deduzimos em Chico um Profeta do Pai a quem devemos buscar seguir o exemplo unindo-nos todos verdadeiramente como irmãos que somos a fim de, juntos, seguirmos em rumo ascendente à Verdade Absoluta, pois a verdade relativa, respeitando a Lei do Progresso, deve sempre estar no caminho da estrada correta que nos leva ao Pai. E confiemos Nele, pois se Ele é todo Poder, todo Bondade, todo Amor, Ele é também toda a Verdade que desejamos conhecer para a realização plena da Felicidade a que estamos fadados.
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Censo demográfico do IBGE
RECOMENDAÇÃO AOS ESPÍRITAS
Por orientação do presidente Nestor João Masotti, ausente do País em viagem a Nova York, em evento que homenageia Chico Xavier, na sede da ONU, RETIFICAMOS a informação transmitida no dia 2 de agosto, a respeito do Censo demográfico 2010, promovido pelo IBGE.
Diante dos novos esclarecimentos, obtidos em consulta direta ao Órgão, pedimos considerar que, aos pesquisadores do IBGE, poderão ser respondidas as alternativas ligadas ao código 610, todas relacionadas a uma mesma opção: Espírita. A exemplo, poderão ser respondidas as opções Allan Kardec, Cardecismo, Cardecista, Kardecismo, Kardecista, Centro Espírita, Doutrina Espírita, Federação Espírita Brasileira e Espiritismo, entre outras, como estão relacionadas no documento do IBGE que anexamos.
João Pinto Rabelo
Diretor de Comunicação Social da FEB
domingo, 1 de agosto de 2010
Autoconhecimento
Vinícius Lousada
“O conhecimento de si mesmo é, portanto, a chave do progresso individual" (1)
A temática do autoconhecimento é de máxima relevância para todo aquele que deseja trilhar o caminho da paz no planeta interno.
Esse exercício permite ao indivíduo desenvolver um estado de plena consciência ao que se refere às imperfeições morais que precisa corrigir, tendo em vista o processo de aprimoramento pessoal que lhe cabe perseguir, atendendo ao chamado íntimo da busca de plenitude.
Encontramos, em O Livro dos Espíritos, o mais excelente roteiro para esse tentame educativo descrito de forma simples, mas profunda, nas sábias palavras do luminar Santo Agostinho.
Num primeiro momento, o benfeitor espiritual propõe uma atitude de recolhimento interior para que, ao fim do dia, venhamos fazer um questionamento à nossa consciência sobre o modo como realizamos nossas ações e deveres cotidianos.
A forma com que estamos lidando com o dever revela o grau de maturidade já logrado. Espíritos imaturos procuram driblar as exigências do dever bem cumprido, enquanto Espíritos mais desenvolvidos assumem uma atitude radical ante os deveres, fazendo tudo pelo melhor a ser realizado.
Obviamente o autor da resposta à questão 919 do Livro-luz não deixa de destacar o valor da oração como uma ferramenta útil ao processo de conhecer a si mesmo.
A prece é um recurso auxiliar para o sujeito que se dedica à auto-análise e, através dela, ele pode contar com a inspiração de Deus e do seu Espírito Protetor para estudar-se criticamente, a fim de esclarecer-se a respeito do bem ou mal que houvera feito.
Na jornada psicológica para dentro de si, é fundamental a problematização a respeito do conteúdo e do objetivo das nossas atitudes.
No ato de problematizar merecerá atenção “o que” estamos realizando e “onde” queremos chegar agindo desta ou daquela maneira. Como diz o próprio Santo Agostinho: “Formulai, pois, de vós para convosco, questões nítidas e precisas e não temais multiplicá-las.” (2)
Cabe-nos investigarmos se estamos agindo eticamente, ou seja, se o objetivo e conteúdo de uma certa atitude atendem à diretriz ética de levarmos em conta a felicidade de todos os seres sencientes.
Quanto às conseqüências de nossas atitudes, há a sugestão de que as examinemos mediante alguns crivos indispensáveis ao juízo de valor, o mais perfeito possível. Temos obrado dentro das orientações que a consciência aponta como expressão fiel das Divinas Leis? Como agimos em relação ao próximo nas mais diversas circunstâncias? Trabalhamos a favor de nossa felicidade ou contra ela?
Nosso Mestre Jesus afirmou, oportunamente, que “cada árvore se conhece pelo seu próprio fruto.” (3) Portanto, o exame ético das atitudes e de seus resultados concederá àquele que se investiga a possibilidade de reconhecer, sem os véus da ilusão, a sua condição espiritual através da identificação dos elementos que cultiva no âmbito de sua natureza moral.
O Espírito Agostinho nos alerta para darmos a devida atenção às respostas que surgem na mente. Elas nos darão tranqüilidade ou “a indicação de um mal que precise ser curado.”
Despertos ao imperativo de jornadearmos conscientemente o processo da evolução, será de bom alvitre a assunção do dever de perscrutarmos corajosamente a consciência com questões claras e precisas.
Naturalmente, as dúvidas surgirão no transcorrer dessa caminhada em direção à autoconscientização. Nosso ego produz mecanismos de defesa que nos induzem à percepção errada sobre nós mesmos, desviando-nos do auto-encontro, postergando essa tarefa libertadora rumo ao mais profundo do ser. E, nesse caso, o que fazer?
Segundo a questão em análise, podemos lançar mão da seguinte estratégia: inquirirmo-nos sobre como qualificaríamos determinada ação, realizada por nós mesmos, se fosse feita por outra pessoa.
Por outro lado, apresentar a dúvida aos nossos amigos de verdade escutando o que pensam a respeito seria uma alternativa valiosa. Todavia, se a incerteza persistir, indaguemos aos nossos supostos inimigos... É verdade, você não leu errado não!
Aqueles que se inimizam conosco ou que simplesmente não sintonizamos, por não terem nada a perder, comumente dizem o que pensam e, conforme a orientação para o autoconhecimento do Espírito Agostinho, têm condições de nos ajudar a avaliarmos o nosso comportamento.
Essa metodologia de conhecer a si mesmo, exarada na obra fundamental da Codificação Espírita, é a chave que todos temos ao alcance – sem gurus de ocasião – para o progresso individual.
Trata-se de uma maneira prática, sem teorizações desnecessárias, para que passemos, pouco a pouco, a identificar realmente quem nós somos de fato.
Consiste também numa metodologia apropriada ao desenvolvimento da resistência aos atrativos que os abusos das paixões apresentam em função da invigilância costumeira com que transitamos quando mergulhados no corpo somático.
Ao passo que percebamos determinada imperfeição moral, trabalhemos pela sua superação. Identificando virtudes devidamente assimiladas em nossa conduta, invistamos as forças em praticá-las constantemente.
Reconhecendo as aprendizagens que se fazem necessárias e os valores intelecto-morais já adquiridos pelo bom aproveitamento das vivências que a morada temporária na carne nos concede, dirijamo-nos à felicidade que pode ser granjeada pela dedicação, em apenas alguns minutos diários, ao autoconhecimento.
(1) O Livro dos Espíritos, questão 919.
(2) O Livro dos Espíritos, questão 919.
(3) Lucas 6:43.
segunda-feira, 26 de julho de 2010
O ESPIRITISMO E A FRANCO-MAÇONARIA
(Sociedade Espírita de Paris, 25 de fevereiro de 1864)
Nota – Nesta sessão foram dirigidos agradecimentos ao Espírito Guttemberg, com o pedido de tomar parte em nossas conversas, quando julgasse conveniente.
Na mesma sessão, a presença de vários dignitários estrangeiros da Ordem Maçônica motivou a seguinte pergunta: Que concurso o Espiritismo pode encontrar na Franco-maçonaria?
Várias dissertações foram obtidas sobre o assunto.
I
Senhor Presidente, agradeço o vosso amável convite. É a primeira vez que uma de minhas comunicações é lida na Sociedade Espírita de Paris e, espero, não será a última.
Talvez tenhais achado em minhas reflexões, um tanto longas sobre a imprensa, alguns pensamentos que não aprovais completamente. Mas, refletindo na dificuldade que sentimos ao nos pormos em relação com os médiuns e utilizar as suas faculdades, havereis de passar de leve sobre certas expressões ou modo de dizer, que nem sempre dominamos. Mais tarde a eletricidade fará a sua revolução mediúnica, e como tudo será mudado na maneira de reproduzir o pensamento do Espírito, não mais encontrareis essas lacunas por vezes lamentáveis, sobretudo quando as comunicações são lidas diante de estranhos.
Falastes da franco-maçonaria, e tendes razão de nela esperar encontrar bons elementos. O que se pede a todo maçom iniciado? Crer na imortalidade da alma, no Divino Arquiteto e em seres benfeitores, devotados, sociáveis, dignos e humildes. Ali se pratica a igualdade na mais larga escala. Há, pois, nessas sociedades uma afinidade com o Espiritismo de tal modo evidente que salta aos olhos.
A questão do Espiritismo foi posta na ordem do dia em várias lojas e eis o resultado: leram volumosos relatórios muito complicados a este respeito, mas não o estudaram a fundo, o que fez que nisto, como em muitas outras coisas, discutissem um tema que não conheciam, julgando por ouvir dizer, mais do que pela realidade. Entretanto, muitos maçons são espíritas e trabalham bastante na propagação dessa crença. Todos escutam, e se o hábito diz: Não, a razão diz: Sim.
Esperai, então, porque o tempo é um aliciador sem igual; por ele as impressões se modificam e, necessariamente, no vasto campo dos estudos, abertos nas lojas, o estudo espírita entrará como complemento; isto já está no ar. Riram, falaram; não riem mais, meditam.
Assim, tereis um seminário espírita nessas sociedades essencialmente liberais. Por elas entrareis plenamente neste segundo período, que deve preparar os caminhos prometidos. Os homens inteligentes da maçonaria vos bendirão por sua vez, pois a moral dos Espíritos dará um corpo a esta seita tão comprometida, tão temida, mas que tem feito mais bem do que se pensa.
Tudo tem um parto laborioso, uma afinidade misteriosa; e se isto existe para o que perturba as camadas sociais, é muito mais verdadeiro para o que conduz o progresso moral dos povos.
Guttemberg (Médium: Sr. Leymarie)
(Revista Espírita, abril de 1864)
sábado, 17 de julho de 2010
quinta-feira, 8 de julho de 2010
O que ensina o Espiritismo?
Vinícius Lousada
Para responder a pergunta é importante esclarecer que o Espiritismo é uma doutrina filosófica e moral nascida em meados do séc. XIX, sendo fruto do trabalho científico do Prof. Rivail, pedagogo francês e discípulo de Pestalozzi, que se ocupou de investigar o fenômeno espírita e dele extrair – pela narrativa dos habitantes do mundo dos Espíritos que nos cerca – o conjunto de ensinamentos dos Espíritos Superiores.
Desse modo, o leitor já pode deduzir que o Espiritismo tem por princípio filosófico a imortalidade da alma, tanto quanto, a comunicabilidade entre os que jazem na carne e os que já partiram para a vida espiritual. Não se trata de mera especulação, é o exercício da mediunidade, ao longo da História da humanidade, que indica a inexistência da morte e a realidade existencial de além túmulo, onde cada um experimenta no tribunal da própria consciência o fruto de suas ações.
Somos Espíritos transitoriamente mergulhados pelo mecanismo da reencarnação num corpo físico, vivendo uma experiência corpórea entre tantas vividas e outras mais que viveremos em prol de nossa ascensão espiritual, num crescente aprendizado das leis morais da vida, ou seja, das diretrizes do Pai Celestial.
O corpo é uma abençoada roupagem que merece cuidado e gratidão, no entanto, as nossas riquezas maiores superam as coisas impermanentes, são as da inteligência e do sentimento que deverão ser cultivadas para que em nós brilhe a luz do bem.
Nossa família é um excelente educandário, na configuração que ela se apresentar. É nesse laboratório de sociabilidade transcendente que aprendemos a lição da cooperação e do amor. O Espiritismo nos ensina a amar a nossa família, valorizando-a.
Com Kardec, Deus passa a ser compreendido como a Inteligência Suprema, Causa Primeira de todas as coisas, de todas as casas planetárias no Universo, cuidando de tudo e todos, sem as predileções pintadas pela religiosidade matizada de imperfeições.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
C I L A D A S
Na trajetória humana, em favor do desenvolvimento moral e intelectual, o Espírito, não poucas vezes, defronta armadilhas bem urdidas, nas quais tomba, de maneira irreversível, comprometendo-se por longo período. . .
Constituem testes á resistência moral de todo jornadeiro que se aprimora através das experiências da evolução.
Ninguém, que desempenhe funções ou papéis relevantes, que não seja surpreendido por esses mecanismos perigosos que lhe põem à prova a capacidade mental e as resistências morais.
Sutis, algumas vezes, apresentam-se como dourados atrativos que seduzem e terminam por envilecer o caráter de quem lhes aquiesce ao convite.
Noutras ocasiões, surgem de inopino, ameaçadores e voluptuosas, surpreendendo e obrigando as vítimas a capitular, inermes, interrompendo o ritmo do ideal, da conduta, do trabalho a que se afervoram.
Algumas anunciam favores e glórias fascinantes que atingem a sensibilidade emocional, levando a paixões de afetividade doentia. . .
Inúmeras outras assumem o odioso aspecto da animosidade e da perseguição inclemente e gratuita, que termina por desestruturar aquele que lhe padece o cerco.
Normalmente, fazem-se insinuantes e agradáveis, sem aparente malícia nem mácula, culminando pelo envolvimento daquele que se permite fascinar pelo engodo de que se revestem.
Semelhante ao que ocorre com os insetos colhidos nas malhas brilhantes da teia de aranha que os espreita, a fim de devorá-los depois, logra êxito em razão dos fios viscosos e de aparência inocente que retêm as presas incautas, impossibilitadas de qualquer forma de libertação.
Existem as ciladas licenciosas, vulgares, insensatas, em que muitos corações gentis e dóceis se enleiam, comprazendo-se, irresponsavelmente, no comportamento divertido que se torna chulo e perturba dor.
Diversas outras são refinadas e trabalham a presunção do indivíduo invigilante, afastando-o do convívio social saudável que parece asfixiá-lo, isolando-o na alienação da falsa autosuficiência. . .
As ciladas constituem recursos perturbadores durante a experiência humana que têm a finalidade de proporcionar a aquisição de resistências espirituais e de valores pessoais ao indivíduo, mediante os quais o espírito se enriquece de sabedoria.
Todos os seres humanos, de uma ou de outra maneira, experimentam-nas durante a vilegiatura terrestre.
Há porém, outro gênero de ciladas perversas que merecem atenção redobrada.
Trata-se daquelas que são programadas no mundo espiritual inferior, nas quais se comprazem os Espíritos invejosos, atrasados, primários e os malvados que se transformem em obsessores, verdadeiros verdugos das demais criaturas humanas, individualmente, assim como da sociedade terrestre como um todo. . .
Odiando o progresso moral, do qual se alijaram por vontade própria, elegendo o sofrimento decorrente da ignorância em relação à Verdade como diretriz de segurança pessoal, esses Espíritos infelizes transformam-se em inimigos do Bem, que pensam impedir de expressar-se, assim como da felicidade do próximo que invejam.
Quando alguém se alça acima da craveira comum e chama a atenção pelos valores éticos, culturais, políticos, religiosos ou de qualquer outra natureza, investem, furibundos, contra, gerando situações embaraçosas, complicando-lhes os relacionamentos e comprazendo-se em afligi-los. . .
São hábeis na técnica de inspiração doentia, trabalhando as reflexões mentais daqueles a quem antipatizam com vibrações perniciosas e extravagantes que desajustam as suas vítimas.
Noutras ocasiões, trata-se de inimigos de existências passadas, que mantêm ressentimento em forma de rancor e desejo incontrolável de vingança na sua morbidez dominadora.
Insinuam idéias de enfermidades simulacros, transmitem sensações doentias, envolvem em ondas mentais depressivas, suspeitosas ou de violência, em contínuas tentativas de alienar aqueles que lhes caem nas ciladas mentais.
Ociosos e insensíveis à compaixão ou á fraternidade, persistem com virulência nos seus propósitos infelizes, tornando-se inflexíveis na razão direta em que encontram resistência naqueles que pretendem azorragar.
Atiram pessoas irresponsáveis e igualmente ignorantes contra quem se esforça por superar as inclinações inferiores, tornando-se patrulheiros inconseqüentes dos seus atos, em razão de não desejarem sintonia com as suas mazelas.
Estimulam a sensualidade e provocam paixões tórridas de conseqüências desastrosas, desrespeitam os sagrados vínculos do matrimônio, da fidelidade, da consideração que todos se devem reciprocamente.
Acompanham aqueles que estão sob a alça de mira na condição de vigias impiedosos, sempre aguardando qualquer brecha mental, emocional ou moral, a fim de iniciarem as vinculações obsessivas, mediante as quais pensam em destruí-los.
No que diz respeito aos trabalhadores do Evangelho de Jesus através da revelação espírita, iracundos e violentos tudo investem, na sua sanha alucinada, para impedir-lhes o cumprimento dos nobres de veres abraçados.
Certamente, ninguém se encontra sem a proteção do Senhor da Vinha através dos Seus emissários e dos Seus próprios benfeitores que Lhe executam a Vontade.
Nada obstante, as ciladas que padecem os trabalhadores do Bem, fazem parte do esquema para a aprendizagem superior a respeito da realidade imortalista na qual todos nos encontramos mergulhados.
Essas experiências também ensinam como se deve comportar o obreiro de Jesus diante dos famigerados enfermos da alma, que se demoram na erraticidade necessitados de compaixão e socorro.
Constituem treinamento para o futuro, quando convocado ás tarefas de misericórdia em regiões dolorosas onde os mesmos se homiziam.
Age com bondade e sê fiel em qualquer circunstância do ideal ao qual te afervoras.
Ora e confia, alegrando-te quando sob chuva de calhaus e sorrindo quando jornadeando sobre cardos, deixando pegadas de dor e de júbilo pelo caminho, afim de que demonstres que segues Aquele que,aparentemente morreu vencido em uma cruz de vergonha, e que, após essa máxima cilada dos maus, retornou Triunfante conforme prometera.”
Joanna de Ângelis
Página psicografada pelo médium DIVALDO PEREIRA FRANCO, na reunião mediúnica da noite de 31/ 03/ 2010, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia, Brasil.
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Copiado em 30/ 06/ 2010 por Nivalda Steffens.
Santa Cruz do Sul, RS, Brasil.
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Para ler com a razão enamorada da emoção
Vinícius Lousada
O Evangelho segundo o Espiritismo consiste num livro publicado por Allan Kardec em abril de 1864. Lendo-o, em especial na parte explicativa sobre o objetivo da obra, somos capazes de vislumbrar um horizonte diferente do pensamento religioso tradicional em relação ao que diz respeito ao Cristo e à sua mensagem.
Teólogos e exegetas bíblicos se ocupam em auferir bases evangélicas aos dogmas das mais diversas seitas e igrejas nas palavras e atos de Jesus de Nazaré, prendendo-se à letra das escrituras na forma de seu entendimento.
Pesquisadores de áreas variadas têm por objeto de investigação vestígios arqueológicos e históricos de Jesus, delineando traços das condições étnicas, culturais e aspectos factuais em torno da personalidade Dele.
Já, o código de vida publicado pelo Codificador do Espiritismo se atém ao Evangelho mesmo, ou seja, ao conteúdo moral dos ensinamentos de Jesus.
Aliás, a Filosofia Espírita preconiza essa moral como a mais excelente para que a criatura humana viva sob a égide de uma ética da virtude, em sintonia com as Leis de Deus, construindo nas paragens terrenas um tempo de espiritualização que, diga-se de passagem, se inicia no coração de cada indivíduo que a compreende.
Kardec objetivava, com esse livro, apresentar um código de moral universal, “sem distinção de culto”(1) , a ser aplicado no cotidiano, conforme as lições do Mestre. Portando, caso você queira conhecer esse aspecto moral do Espiritismo leia o supracitado livro, mas faça isso com a razão enamorada da emoção saudável.
(1)KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 112. ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1996, p. 26
Publicado no jornal Diário Popular de Pelotas do dia 27 de junho de 2010.
sexta-feira, 4 de junho de 2010
A paz na morte
Mesmo quando o nosso dever moral seja o de pelejar para alijar as práticas violentas da vida da coletividade social, cabe-nos entender que em tudo o que se vive hoje em dia, no seio das sociedades mais diferenciadas, há um sentido educativo e impulsionador do progresso de que necessitamos.
Ainda quando nos caiba laborar vivamente pela paz, promovendo-a desde os nossos mais simples gestos, precisaremos entender o porquê de nos acharmos atados às vivências ásperas, complexas e violentas de um mundo expiatório como a Terra, dado o nosso estado empobrecido de evolução.
No planeta em que renascemos para a aquisição da escolaridade ampla, capaz de nos iluminar os conhecimentos do intelecto e do sentimento, enfermidades, frustrações, deficiências e morte são as peças que compõem o estranho mosaico da nossa experiência de redenção enquanto efetuamos o caminho da auto-iluminação.
Vale a pena, então, fazer esforços para desenvolver estilos de vida que nos credenciem a fazer sintonia com as bênçãos da saúde e não com as faixas da doença; a desenvolver raciocínios lúcidos aprumados ao bom senso, para que não fiquemos atados aos processos de frustrações.
Urge consigamos valorizar a honra do corpo físico, respeitando-o de todos os modos, fugindo aos excessos como quer que se expressem, a fim de não conectarmos com dispensáveis deficiências que costumam impor graves sofrimentos. Torna-se indispensável que movimentemos nossa jornada terrena de tal forma nobre, luminosa e digna que não nos prendamos ao temor da morte corporal, mas, sim, evitemos as ocorrências da morte moral, motivada pelos vícios de todos os tipos, que aprisionam a pessoa aos pelourinhos das torturantes dependências.
Para viver em regime de paz é imprescindível não sintonizar com as inspirações da violência nem com as façanhas dos violentos. Assim, a morte nos alcançará sem qualquer travo de culpa na consciência.
Para disseminar as propostas da paz é fundamental não alimentar as impressões do medo nem comungar com os medrosos. Assim a morte nos achará confiantes na vibração da perene vida.
Para se ter paz na morte, que inicia seu processo desgastador desde o primeiro hausto da criatura quando nasce, é necessário ao indivíduo manter-se em caminho de moderação em tudo o que diga e em busca de harmonia em tudo o quanto faça, exercitando-se em viver equilibradamente.
A desencarnação não pesará sobre quem soube amar a Deus e respeitar o próximo como não aprisionará em celas de amargura e remorsos quem soube ser livre e, ao mesmo tempo, respeitar a liberdade alheia.
Apesar do sofrimento moral que o passamento de um ser querido nos impõe, a morte física significa, em tese, a ansiada alforria após uma existência de lutas, de produtividade e de amor na busca da auto-renovação, do progresso e da paz.
Ivan de Albuquerque
Mensagem psicografada por Raul Teixeira, em 14.05.07, na Sociedade Espírita Fraternidade, em Niterói-RJ.
(http://www.raulteixeira.com/mensagens.php?not=113)
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