quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Artigos científicos no portal da FEB


No portal da Federação Espírita Brasileira é possível acessar artigos centíficos de diferentes áreas do conhecimento sobre a temática espírita.


Bons estudos!

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Médiuns Especiais - Allan Kardec


A experiência prova diariamente quanto são numerosas as variedades da faculdade mediúnica, mas também nos prova que os diversos matizes dessa faculdade são devidos a aptidõesespeciais ainda não definidas, abstração feita das qualidades e dos conhecimentos do Espírito que se manifesta.

A natureza das comunicações é sempre relativa à natureza do Espírito e traz o cunho de sua elevação ou de sua inferioridade, de seu saber ou de sua ignorância. Mas, considerando-se o mesmo mérito, do ponto de vista hierárquico, nele há, incontestavelmente, uma propensão para ocupar-se de uma coisa, em vez de outra. Os Espíritos batedores, por exemplo, quase não saem das manifestações físicas. Entre os que dão manifestações inteligentes, há Espíritos poetas, músicos, desenhistas, moralistas, sábios, médicos, etc. Falamos de Espíritos de uma ordem média, porquanto, chegados a um certo grau, as aptidões se confundem na unidade da perfeição. Mas, ao lado da aptidão do Espírito, há também a do médium que, para o primeiro, é um instrumento mais ou menos cômodo, mais ou menos flexível, e no qual descobre qualidades particulares que não podemos apreciar.

Façamos uma comparação: Um músico muito hábil tem em mãos vários violinos; para o vulgo, são todos bons, mas entre os quais o artista consumado faz uma grande diferença. Capta matizes de extrema delicadeza, que o levam a escolher uns e rejeitar outros, matizes que compreende por intuição, mas que é incapaz de definir. O mesmo se dá em relação aos médiuns: para idênticas qualidades na força mediúnica, o Espírito dará preferência a este ou àquele, conforme o gênero de comunicação que queira dar. Assim, por exemplo, vemos pessoas que escrevem, como médiuns, poesias admiráveis, embora em condições ordinárias jamais tenham conseguido fazer um verso; outros, ao contrário, são poetas, mas, como médiuns, só escrevem prosa, apesar de seu desejo. O mesmo se dá com o desenho, a música, etc. Também há os que, sem conhecimentos científicos próprios, têm uma aptidão toda particular para receber comunicações científicas; outros, para estudos históricos; outros servem mais facilmente de intérpretes aos Espíritos moralistas. Numa palavra, seja qual for a flexibilidade do médium, as comunicações que recebe com mais facilidade têm geralmente um sinete especial. Alguns, até, não saem de um certo círculo de idéias e, quando dele se afastam, só obtêm comunicações incompletas, lacônicas e freqüentemente falsas. Excetuando-se as causas de aptidão, os Espíritos ainda se comunicam, com maior ou menor boa vontade, por tal ou qual intermediário, conforme as suas simpatias. Assim, considerando-se a mesma igualdade de aptidões, o mesmo Espírito será muito mais explícito através de certos médiuns, pelo simples fato de que esses lhes convêm melhor.

Portanto, incorreríamos em erro se, pelo simples fato de termos um bom médium à mão, que escrevesse com facilidade, pudéssemos, por seu intermédio, obter boas comunicações de todos os gêneros. A primeira condição para obter-se boas comunicações é, sem contradita, assegurar-se da fonte de onde emanam, isto é, das qualidades do Espírito que as transmite; mas não é menos importante levar em conta as qualidades do instrumento oferecido ao Espírito. É necessário, pois, estudar a natureza do médium, como se estuda a do Espírito, pois aí estão os dois elementos essenciais para se obter resultados satisfatórios. Há um terceiro que desempenha um papel igualmente importante: a intenção, o pensamento íntimo, o sentimento mais ou menos louvável de quem interroga; e isto se concebe. Para que uma comunicação seja boa, é preciso que emane de um Espírito bom; para que esse Espírito bom possa transmiti-la, é necessário um bom instrumento; para que a queira transmitir, é preciso que o objetivo lhe convenha. Lendo o pensamento, o Espírito julga se a pergunta que lhe é feita merece uma resposta séria e se a pessoa que a dirige é digna de recebê-la. Caso contrário, não perde o tempo em semear bons grãos em terra imprópria; e é então que os Espíritos levianos e zombadores aproveitam o campo, deixado livre, porquanto, pouco se importando com a verdade, não hesitam em fazê-lo, e geralmente são muito pouco escrupulosos quanto aos fins e aos meios.

De acordo com o que acabamos de dizer, compreendesse que deve haver Espíritos, por gosto ou pela razão, mais especialmente ocupados com o alívio da humanidade sofredora; que, paralelamente, deve haver médiuns mais aptos que outros a lhes servirem de intermediários. Ora, como esses Espíritos agem exclusivamente com vistas ao bem, devem procurar em seus intérpretes, além da aptidão que poderia ser chamada fisiológica, certas qualidades morais, entre as quais figuram, em primeira linha, o devotamento e o desinteresse. A cupidez sempre foi, e será sempre, um motivo de repulsa para os Espíritos bons e uma causa de atração para os outros. É admissível possa o bom-senso aceitar que os Espíritos superiores se prestem a todas as combinações de interesse material e que estejam às ordens do primeiro que aparecer, pretendendo explorá-los? Os Espíritos, sejam quais forem, não querem ser explorados; e, se alguns parecem estar de acordo, se mesmo se adiantam a certos desejos demasiado mundanos, quase sempre têm em vista uma mistificação, de que se riem depois, como de uma boa peça pregada a gente muito crédula. Ademais, talvez não seja inútil que alguns queimem os dedos, a fim de aprenderem que não se deve brincar com coisas sérias.

Seria o caso de falarmos aqui de um desses médiuns privilegiados, que os Espíritos curadores parece haverem tomado sob seu patrocínio direto. A Srta. Désirée Godu, que reside em Hennebon (Morbihan), goza, a este respeito, de uma faculdade verdadeiramente excepcional, que utiliza com a mais piedosa abnegação. Sobre isto já dissemos algumas palavras num relatório das sessões da Sociedade, mas a importância do assunto merece um artigo especial, que teremos a satisfação de lhe consagrar em nosso próximo número. À parte o interesse que se liga ao estudo de toda faculdade rara, sempre consideramos como um dever dar a conhecer o bem e fazer justiça a quem o pratica.



(Revista Espírita, fevereiro de 1860)

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Educação e Ambiente





 
Vinícius Lousada



A ecologia não deverá ser dissociada da educação, a fim de que alcance os seus enobrecidos objetivos sobre o mundo.- Camilo

A temática ambiental é uma das questões que mais está em voga na atualidade. É pauta de discussões e ações dos movimentos sociais, consiste em conteúdo nas escolas, faz-se tônica na produção de algumas leis em defesa do ambiente, dos seres vivos e, ao mesmo tempo, impõe-se como assunto prioritário nos encaminhamentos e definições sobre desenvolvimento nas sociedades humanas.

Marcada por múltiplas tendências teóricas e metodológicas, pela heterogeneidade de princípios, as ações coletivas que delineiam o ambientalismo têm em comum a defesa e preservação da vida em nossa Casa Planetária.

Infinidade de almas, centradas na concepção da Natureza como um bem, afinadas com um sentimento de profundo respeito em relação à Mãe-Terra, têm se disposto a lutar, mediante suas práxis, pela construção de políticas públicas, de elaboração de órgãos oficiais e não-governamentais de orientação local e global, na tentativa de propor meios alternativos de desenvolvimento sócio-econômico que entenda a vida como um valor em si mesma.

Inspirados por inteligências enobrecidas do mais-além, esses lidadores da questão ambiental vêm estruturando tratados entre governos, cartas de compromisso por parte dos povos, promovendo e pesquisando meios de educar as massas e inverter a lógica egotista do “lucro sem freios” geratriz de tanta destruição, cumprindo todos nobilitantes tarefas junto a esta digna causa.

Esses Espíritos comprometidos com a questão ambiental dão à vida a sua contribuição, tentando sensibilizar seus pares, alertando-os dos riscos do enfraquecimento da camada de Ozônio, do desmatamento da Amazônia e de outras florestas, despertá-los para a realidade da futura escassez da água potável causada pela poluição e desperdício das águas; ou, ainda, à proteção de espécies quase extintas e dos ecossistemas – viveiros naturais de várias espécies, etc.

Quando Allan Kardec interrogou aos Espíritos da Codificação sobre o “Que se deve pensar da destruição, quando ultrapassa os limites que as necessidades e a segurança traçam?” Alcançou uma alarmante resposta da qual reproduzirei a parte que nos interessa na questão. Dizem os Espíritos: “Predominância da bestialidade sobre a natureza espiritual. Toda destruição que excede os limites da necessidade é uma violação da lei de Deus.(...) [o homem] Terá que prestar contas do abuso da liberdade que lhe foi concedida, pois isso significa que cede aos maus instintos.” (1)

Desta forma, notamos na elucidação dos Espíritos que a humanidade se atira à destruição indevida do seu oikos (casa) porque se deixa dirigir por sua remanescente bestialidade, ou seja, pela animalidade que ainda conduz no imo da alma, herdeira que é da conduta moral que historicamente tem se afeiçoado.

Abusando de sua liberdade de pensar e agir, dando vez à sua inferioridade, é que os homens e as mulheres dão-se ao luxo de agredir seu Planeta, de eliminar a vida em suas formas mais singelas às mais complexas e é assim que acabam por violar a Lei Natural, desequilibrando a harmonia do sistema em que vivem – sistema complexo que não deve ser compreendido apenas como a soma de suas partes, mas também como as inter-relações entre suas partes e destas com a totalidade –, gerando desmedida destruição da qual, pela lei de causa e efeito, receberão as conseqüências no circuito das vidas sucessivas.

Penso que precisamos nos conscientizar de que “Compartilhamos a vida com outros seres da vida, somos todos o todo e a parte de uma mesma dimensão de tudo o que existe.” (2) Vivemos em interdependência relacional com os demais seres vivos existentes e com os outros de nossa espécie, por isso, nesse compartilhar e conviver da existência, influenciamos e somos influenciados pelos outros, pelo nosso ecossistema, bem como pelo produto de nossas ações sobre a Natureza. E em virtude de um axioma básico da vida, desculpem-me a obviedade, colhemos o que plantamos em tudo o que fazemos.

Isto me faz recordar uma célebre afirmação atribuída a um chefe indígena americano que a teria postulado nestes termos: “Tudo está entrelaçado. Tudo o que acontece à terra, acontecerá aos filhos da terra. O homem não teceu a trama da vida, ele é apenas um fio.” (3) Ou seja, por causa de nossa intrincada conexão com a realidade objetiva que nos cerca, toda ação destrutiva, aviltadora dos recursos naturais ou do que é pertinente à vida alheia, cedo ou tarde, chegar-nos-á mediante seus funestos resultados.

Nesta lógica, a crise ambiental vigente é, sem sombra de dúvida, efeito de um racionalismo a serviço de uma lucratividade inconseqüente que, nas atitudes implementadas, tem desconsiderado esse princípio da sabedoria dos povos indígenas.

No entanto, uma consciência ambiental, se assim posso me exprimir, não pode ser forjada com a mera transmissão de informações, ela exige a construção de atitudes mais respeitosas com o ambiente, pede intervenções educativas que considerem os saberes ecológicos e que promovam a assunção dos educandos como sujeitos viventes num mundo com outros seres vivos, sabedores da responsabilidade advinda do reconhecimento de sua natureza espiritual e, da mesma forma, da finalidade educativa de sua estada temporária na Terra.

Outro aspecto que envolve a urgente temática da ecologia é que esta não pode esquecer em seus reclames o ser humano, não somente no sentido de formatar nova mentalidade junto dele, no que toca ao “amor ao verde”, mas também com a própria vida humana em sua complexa presença.

É de importância ímpar que levemos em conta a questão do cuidado com os nossos irmãos em humanidade, sobretudo aqueles a quem a pobreza lhes é impingida, expondo-os facilmente aos riscos da sórdida expansão do egoísmo globalizado.

São estes e estas que algemados ao problema ambiental da fome, da miséria, do trabalho escravo ainda existente, que precisam de uma definição nossa ou daqueles que se dizem cristãos na luta contra o egoísmo, “essa lepra que se deve atribuir o fato de não haver ainda o Cristianismo desempenhado por completo a sua missão.” (4)

Convidados por Cristo a edificarmos o Reino em nossa intimidade, meditemos, pois, nas proposições que nos permitem as reflexões espíritas sobre a temática ambiental, buscando fazer a nossa bestialidade destrutiva ceder à natureza espiritual que possuímos, propulsionadora de dias melhores na História de todos nós.

(1) O Livro dos Espíritos, questão 735.


(2) BRANDÃO, Carlos R. Em campo aberto: escritos sobre a educação e a cultura popular. São Paulo: Cortez, 1995, p. 223.

(3) LEFF, Enrique. Saber ambiental: sustentabilidade, racionalidade, complexidade, poder. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 2001, p. 30.

(4) O Evangelho segundo o Espiritismo, Cap. XI, item 12.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

A reencarnação na turma da Mônica

Como disse oportunamente Kardec, "o Espiritismo está no ar". Veja essa bela e instrutiva estória do Maurício de Souza sobre a reencarnação clicando em http://www.monica.com.br/comics/reencarnacao/

domingo, 31 de janeiro de 2010

Consciência da imortalidade

Foto: Borboleta em SJN - Vinícius



Vinícius Lousada - vlousada@hotmail.com

“Em que se torna a alma no instante da morte?
Volta a ser Espírito, isto é, retorna ao mundo dos Espíritos, que havia deixado momentaneamente.”



O mistério da morte há muito ocupa o imaginário da humanidade. Desde tempos imemoriais, os povos lidam com a sua presença das mais diferentes e criativas maneiras.

Do medo à acolhida da figura da morte, viaja a concepção mitológica desse fenômeno que obedece ao automatismo natural da entropia, da dispersão da energia dos corpos para colaborar com outras formas de manifestação da vida.

Na atualidade, erguem-se, como sempre se fez, doutrinas absurdas apresentando uma visão distorcida do pós-morte em função de interesses amesquinhados da comercialização da fé.

Por outro lado, insiste o paradigma materialista, com o aval da racionalização científica – entenda-se racionalização por um desvio da racionalidade –, em afirmar a morte como o fim e a dimensão espiritual do ser humano como uma produção do cérebro.

Nesse campo de batalha das idéias transita o indivíduo numa pós-modernidade sem referências, temendo a morte ou encastelando-se na indiferença, ignorando os aspectos mais transcendentes da vida vindo a iludir-se quanto ao seu significado profundo.

O medo da morte, da sua ou do outro, vai sofrendo tentativas de abafamento na entrega desnorteada ao prazer e às disputas pelas conquistas impermanentes.

O indivíduo da era da informação, que avançou no conhecimento do universo das micro-partículas e, ao mesmo tempo, foi capaz de decifrar o genoma humano e mapear o território cerebral, anda no mundo desconhecendo a sua própria natureza espiritual, inconsciente da sua imortalidade.

Naturalmente, não têm faltado pesquisadores sérios – como Kübler Ross, Moody Jr., por exemplo -, pensadores, místicos, religiosos e médiuns que se fazem portadores do recado da continuidade da vida após a degeneração do corpo biológico.

Mas, seduzidos pelo materialismo, muitos se fazem surdos ou, na sua míope arrogância, dão-lhes descréditos sem conhecerem as suas produções a respeito de palpitante e necessário tema.

Contudo, há 150 anos, o Espiritismo tem oferecido um entendimento diferenciado da morte. Segundo o relato dos Espíritos, colhidos por Allan Kardec utilizando-se da metodologia da concordância universal, e os fatos que nos são apresentados todos os dias, através do fenômeno mediúnico, a morte não é o fim da existência, mas um retorno do ser ao mundo dos Espíritos.

A realidade insofismável da comunicabilidade dos Espíritos, vivenciada por muita gente na intimidade de sua vida particular, estudada por diversos sábios no passado, experimentada como sobrenatural na religião tradicional e verificada nas reuniões mediúnicas, nas sociedades espíritas, conjuga uma infinidade de fatos que não dão margem à dúvida sobre a imortalidade da alma.

A Filosofia dos Espíritos aclara-nos, ainda, que são diversos os estados psicológicos dos desencarnados na erraticidade, estando cada qual a transitar na faixa de felicidade ou tormento edificada em estreito vínculo com as virtudes adquiridas ou imperfeições não superadas até então.

Cada um, cultivando a faixa mental a que se afeiçoa na manutenção da própria evolução ou no condicionamento aos hábitos infelizes, se agrega por sintonia a comunidades espirituais erigidas pelo poder plasmador do pensamento dos indivíduos e das coletividades.

Através do conhecimento espírita, haurido no estudo das obras de Allan Kardec e nas que lhe são posteriores, o sujeito pode munir-se da consciência de sua imortalidade.

Entretanto, devemos atentar para um detalhe: a consciência da imortalidade não se traduz em mera informação e tampouco o Espiritismo é o único caminho para tanto.

Existem pessoas que memorizam sentenças morais descuidadas do dever de vivê-las. Logo, a simples leitura de Kardec não basta. É preciso meditar sobre os enunciados, buscar reflexivamente a aplicação no roteiro de desenvolvimento pessoal .

Também, ante a diversidade religiosa presente em nossa civilização planetária, não podemos ignorar que são vários os caminhos de espiritualização das criaturas, e muitos deles, têm dado conta do dever de conscientizar os sujeitos a respeito da impermanência dos laços que prendem o ser à matéria.

A consciência autêntica da imortalidade nasce da junção entre o conhecimento espiritual sobre a vida além da morte e a busca da vivência integral do bem.

O atestado de consciência da imortalidade consiste num modo-de-ser de quem se sabe em trânsito, num estar no mundo e com os outros de forma suave, transcendente ao terra-a-terra.

Cônscio da sua imortalidade, o Espírito reencarnado é capaz de contemplar a sua própria incompletude e, portanto, fazer-se aberto ao inusitado, ao que vem de novo no retorno à pátria maior que a morte do corpo faculta.

Caso tenha vivido no bem, goza hoje do “céu interior”, sente as primícias do “nirvana” no próprio âmago e aguarda, numa espera serena a própria libertação da conexão com a carne porque sabe que o que lhe aguarda na vida futura é fruto do que tem plantado ao longo de sua breve passagem terrena.

Quanto à morte dos seus, o sujeito, consciente da imortalidade, compreende que há tempo para tudo e que a desencarnação do seu afeto anuncia um tempo de despedida que vem acompanhada de saudade.

Do mesmo modo, entende que em breve haverá tempo para rever o outro, amenizar a saudade e abraçá-lo seja aqui ou noutro lado da vida.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Momento Joanna de Ângelis




Saúda o teu dia com a oração de reconhecimento.


Tu estás vivo.


Enquanto a vida se expressa, multiplicam-se as oportunidades de crescer e ser feliz.


Cada dia é uma bênção nova que Deus te concede, dando-te prova de amor.


Acompanha a sucessão das horas cultivando otimismo e bem estar.

Jonna de Ângelis - Divaldo Frando do livro "Vida Feliz"



quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Chico Xavier - o Filme




Em 02 abril de 2010 os cinemas terão a estréia do filme de Daniel Filho, com grande elenco, sobre a vida do médium espírita mineiro Francisco Cândido Xavier.

Para saber mais visite o site oficial do filme: http://www.chicoxavierofilme.com.br/site/

E aproveite para ver o trailer oficial do filme:

domingo, 10 de janeiro de 2010

APRECIAÇÃO DA OBRA A GÊNESE



(Paris, 18 de dezembro de 1867 – Médium: Sr. Desliens)

Esta obra vem na hora certa, na medida em que a doutrina está hoje bem estabelecida do ponto de vista moral e religioso. Seja qual for a direção que tome de agora em diante, tem precedentes muito arraigados no coração dos adeptos, para que ninguém possa temer que ela se desvie de seu caminho.


O que importava satisfazer antes de tudo, eram as aspirações da alma; era suprir o vazio deixado pela dúvida nas almas vacilantes em sua fé. Esta primeira missão hoje está cumprida. O Espiritismo entra atualmente em uma nova fase; ao atributo de consolador, alia o de instrutor e diretor do espírito, em ciência e em filosofia, como em moralidade. A caridade, sua base inabalável, dele fez o laço das almas ternas; a Ciência, a solidariedade, a progressão, o espírito liberal dele farão o traço de união das almas fortes.


Conquistou os corações que amam com armas de doçura; hoje viril, é às inteligências viris que se dirige. Materialistas, positivistas, todos os que, por um motivo qualquer, se afastaram de uma espiritualidade cujas imperfeições suas inteligências lhes mostravam, nele vão encontrar novos alimentos para sua insaciabilidade. A Ciência é sua senhora, mas uma descoberta chama outra, e o homem avança sem cessar com ela, de desejo em desejo, sem encontrar completa satisfação. É que o Espírito também tem suas necessidades; é que a alma mais ateísta tem aspirações secretas, inconfessadas, e que essas aspirações reclamam seu alimento.


A religião, antagonista da Ciência, respondia pelo mistério a todas as questões da filosofia céptica. Ela violava as leis da Natureza e as adaptava à sua fantasia, para daí extrair uma explicação incoerente de seus ensinamentos. Vós, ao contrário, vos sacrificais à Ciência; aceitais todos os seus ensinamentos sem exceção e lhe abris horizontes que ela supunha intransponíveis. Tal será o efeito desta nova obra; não poderá senão assegurar mais os fundamentos da crença espírita nos corações que já a possuem, e fará dar um passo à frente para a unidade a todos os dissidentes, à exceção, entretanto, dos que o são por interesse ou por amorpróprio; esses o vêem com despeito sobre bases cada vez mais inabaláveis, que os lançam para trás e os rechaçam na sombra. Só havia pouco ou nenhum terreno comum onde se pudessem encontrar. Hoje, o materialismo vos acotovela por toda parte, porque estando em seu terreno, não estareis menos no vosso, e ele não poderá fazer outra coisa senão aprender a conhecer os hóspedes que lhe traz a filosofia espírita. É um instrumento de duplo efeito: uma sapa, uma mina que ainda derruba algumas ruínas do passado, uma colher de pedreiro que edifica para o futuro.


A questão de origem que se prende à Gênese é para todos uma questão apaixonada. Um livro escrito sobre esta matéria deve, em conseqüência, interessar a todos os espíritos sérios. Por esse livro, como vos disse, o Espiritismo entra numa nova fase e esta preparará as vias da fase que mais tarde se abrirá, porque cada coisa deve vir a seu tempo. Antecipar o momento propício é tão prejudicial quanto deixá-lo escapar.

São Luís


(Revista Espírita, fevereiro de 1869)

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

CONSELHOS DE ANO NOVO

 Vinícius Lousada – vlousada@hotmail.com




Um adágio popular afirma o ano novo como vida nova. Será mesmo? Será que a simples mudança de calendário define um viver diferenciado para melhor? Claro que a mudança é da lei divina, vivemos mergulhados em processos de impermanência e, o Espiritismo, por sua vez, nos ensina que estamos submetidos à Lei de Progresso, uma das leis morais, segundo Allan Kardec, que faz uma leitura da progressão espiritual que podemos empreender como seres perfectíveis.

Assim, creio que estamos em dinâmico processo de crescimento a partir das aprendizagens que somos capazes de efetivar, passando pelas experiências e convivências as mais diversificadas, conforme nossas necessidades educativas, seja do ponto de vista moral, seja do intelectual.

E quanto às superstições reveladas em simpatias e crendices que definem cor de roupa, o que comer ou o modo de andar na entrada do ano novo, elas podem nos garantir uma vida melhor? A superstição é um apego exagerado ao que a ignorância, má conselheira, define por verdade sem a qual não se pode ser feliz.

A superstição também é fruto de uma inadequada educação religiosa que não apresentou ao indivíduo uma maneira lúcida de viver o sagrado, um jeito racional de experimentar a sua espiritualidade.

A fé raciocinada preconizada pelo Espiritismo, quando vivida no livre pensar, pode proporcionar uma espiritualidade profunda, sobretudo, no momento em que esses valores subjacentes nos ensinos dos Espíritos não ilustram somente a inteligência, mas iluminam o sentimento e mobilizam o espiritista para o bem.

Então, como podemos fazer para ter um ano novo e uma vida melhor? Compreendo, pautado na Filosofia Espírita, que podemos ter uma existência de qualidade aprimorando-nos no presente. E o meio de fazê-lo já foi lecionado por Santo Agostinho (1), evocando a doutrina socrática (2) – precursora do Espiritismo – quando postulava o conhecimento de si mesmo.

O mestre Allan Kardec teve o ensejo de apresentar na Revista Espírita, de junho de 1863, uma sintética e bela dissertação do literato desencarnado La Fontaine intitulada “Conhecer a si mesmo”.

Entre os seus sábios conselhos encontramos:

a. “O que muitas vezes impede que vos corrijais de um defeito, de um vício, é, certamente, o fato de não perceberdes que o tendes.” (p. 266) Ou seja, o desconhecimento de si impede que identifiquemos nossas imperfeições ou limites morais para que possamos mudar para melhor, aliás, nenhuma reforma considerável é possível sem o conhecimento exato a respeito do que merece mudança.

b. “Enquanto vedes os menores defeitos do vizinho, do irmão, nem sequer suspeitais que tendes as mesmas faltas, talvez cem vezes maiores que as deles.” A falta de indulgência nubla nossa visão sobre nós mesmos. Quando nos fazemos juízes inveterados dos outros gastamos tempo e energia que poderiam ser destinados à exploração do planeta interno e, com isso, passamos a perder o foco da atenção sobre nós mesmos que, no caso de nossa progressão espiritual, é o que mais importa.

c. “Deveríeis analisar-vos um pouco como se não fôsseis vós mesmos.” (p. 266) Parece-me que equanimidade seria uma palavra-síntese dessa frase. Cabe-nos uma análise sincera e imparcial de nossa natureza moral tornando a subjetividade objeto de exame, fazendo o exercício mental de “olhar de fora" para cá dentro do ser.

d. “Sede francos convosco mesmos; travai conhecimento com o vosso caráter(...).” A franqueza gera a desilusão, o que de fato é uma maravilha. É melhor ficar momentaneamente desapontado consigo por descobrir-se equivocado do que passar uma reencarnação em permanente auto-engano. Aliás, o pensador espiritualista Hermógenes diz, num de seus escritos, que se tivesse que fundar uma religião ela se chamaria “desilusionismo”

Enfim, aproveitemos a tecnologia de bem viver ofertada gratuitamente pelo Espiritismo visando não somente um ano novo melhor, mas igualmente, uma vida melhor na Terra.




NOTAS:
 
(1) O Livro dos Espíritos, questão 919.
 
(2) O Evangelho segundo o Espiritismo, introdução – item IV.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

NATAL...



Espírito: MEIMEI.







Diante do bolo iluminado, abraças, feliz, os entes amados que chegaram de longe...



Ouves a música festiva que passa, de leve, por moldura de harmonia às telas  da natureza... Entretanto, quando penetrarem o tempo da oração, reverenciando o



Mestre que dizes amar, mentaliza o estábulo pobre.



Ignoramos de que estrela chegando o Sublime Renovador, mas todos sabemos  em que ponto da Terra começou ele o apostolado divino.



Recorda as mãos fatigadas dos tratadores de animais, os dedos calosos dos homens do campo, o carinho das mulheres simples que lhes ofertaram as primeiras gotas do próprio leite e o sorriso ingênuo dos meninos descalços que lhe recebera, do olhar a primeira nota de esperança.



Lembra-te do Senhor, renunciando aos caminhos constelados de luz para acolher-se, junto dos corações humildes que o esperavam, dentro da noite, e desce também da própria alegria, para ajudar no vale dos que padecem...



Contemplará, de alma surpresa, a fila dos que se arrastam, de olhos  enceguecidos pela garoa das lágrimas. Ladeando velhinhos que tossem ao desabrigo, há doentes e mutilados que suspiram pelo lençol de refúgio na terra seca. Surgem mães infelizes que te mostram filhinhos nus e crianças desajustadas para quem o pão farto nunca chegou. Trabalhadores cansados falam de abandono e jovens subnutridos se referem ao consolo da morte...



Divide, porém, com eles o tesouro de teu conforto e de tua fé e, nos recintos de palha e sombra a que te acolhes, encontrarás o Cristo no coração, transfigurando-te a vida, ao mesmo tempo em que, nos escaninhos da própria mente, escutarás, de novo, o cântico do Natal, como que repetido na pauta dos astros: - Glória a Deus nas alturas e boa vontade para com os homens!...
FONTE: LIVRO ANTOLOGIA MEDIÙNICA DO NATAL –




Psicografia: Francisco Cândido Xavier.