domingo, 6 de dezembro de 2009
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Índice da Revista Espírita (1858-1869)
A Federação Espírita Brasileria tomou a bela inciativa de colocar on-line o Indice Geral da Revista Espírita elaborado pela sua equipe. Os estudiosos interessados podem consultar no endereço: http://www.febnet.org.br/site/indiceGeralDeRevistas/index.php
A equipe:
Coordenação: Geraldo Campetti Sobrinho
Consultoria em TI: Manoel Cotts de Queiroz
Indexação: Erealdo Rocelhou de Oliveira, Waldehir Bezerra de Almeida
Equipe Portal FEB - Versão on-line do Índice da Revista Espírita:
Coordenação Geral: Cesar Perri de Carvalho
Coordenação de Informática: Bernardo Ramos Filho
Análise e Desenvolvimento: Elias Alves Chacon
Design de interface: Luiz Paulo Pedrosa
Boa leitura a todos e todas!
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Consultoria em TI: Manoel Cotts de Queiroz
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terça-feira, 1 de dezembro de 2009
A educação de um Espírito
Um de nossos assinantes, cuja esposa é excelente médium escrevente, não pode, apesar disso, comunicar-se com seus parentes e amigos, porque um Espírito mau se impõe a ela e intercepta, por assim dizer, todas as comunicações, o que lhe causa viva contrariedade. Notemos que há simples obsessão, e não subjugação, porquanto a médium absolutamente não é enganada por esse Espírito, que, aliás, é francamente mau e não procuraesconder o seu jogo. Tendo pedido nossa opinião a respeito, dissemos-lhe que não se livraria dele nem pela cólera, nem pelas ameaças, mas pela paciência; que era preciso dominá-lo pelo ascendente moral e buscar torná-lo melhor pelos bons conselhos; que é um encargo de alma que lhe é confiado, e cuja dificuldade lhe será meritória.
Conforme nosso conselho, marido e esposa empreenderam a educação desse Espírito, e devemos dizer que se conduzem admiravelmente; se não o conseguirem, nada terão a se censurar. Extraímos algumas passagens dessas instruções, que damos como modelo no gênero, e porque a natureza desse Espírito nelas se desenha de maneira característica.
1. — Para que sejas mau assim, é preciso que sofras?
— Sim, sofro. E é isto que me faz ser mau.
2. — Jamais sentes remorso do mal que fazes ou procuras fazer?
— Não; jamais tenho remorso, e gozo o mal que faço, porque não posso ver os outros felizes sem sofrer.
3. — Não admites, então, que se possa ser feliz com a felicidade alheia, em vez de encontrar felicidade em sua desgraça? Jamais fizeste tais reflexões?
— Jamais as fiz, e acho que tens razão; mas não posso me... não posso fazer o bem; eu sou...
OBSERVAÇÃO: Essas reticências substituem as garatujas feitas pelo Espírito, quando não quer ou não pode escrever uma palavra.
4 — Mas, enfim, não queres escutar-me e experimentar os conselhos que poderia dar-te?
— Não sei, porque tudo quanto me dizes me faz sofrer ainda mais, e não tenho coragem de fazer o bem.
5. — Ora! prometes-me ao menos tentar?
— Oh! não; não posso, porque não cumpriria a promessa e por isso seria punido. Ainda é preciso pedires a Deus que me mude o coração.
6. — Então, oremos juntos. Pede comigo que Deus te melhore.
— Digo-te que não posso; sou muito mau e agrada-me fazer o mal.
7. — Mas, realmente, querias fazê-lo a mim? Eu não considero como mal real as tuas mistificações que, por certo, até aqui nos têm sido mais úteis que prejudiciais, pois serviram para a nossa instrução. Assim, como vês, perdes o tempo.
— Sim, eu fiz tanto quanto posso; e se não fiz mais foi por não poder.
8. — Que é o que to impede?
— O teu bom anjo da guarda e tua Maria, sem o que verias do que sou capaz.
OBSERVAÇÃO: Maria é o nome de uma jovem que evocam em vão, e que não se pode manifestar por causa desse Espírito. Vê-se, porém, pela resposta mesma do Espírito, que se ela não pode manifestar-se materialmente, não deixa de lá estar, como o anjo da guarda, velando por eles. O fato levanta um sério problema, o de saber como um mau Espírito pode impedir as comunicações de um bom. Ele só impede as comunicações materiais, mas não as espirituais. Não é o mau Espírito mais poderoso que o bom; é o médium que não é bastante forte para vencer a obstinação do mau, e que deve esforçar-se por vencê-lo pelo ascendente do bem, melhorando-se mais e mais. Deus permite essas provas em nosso interesse.
9. — Então que me farias?
— Eu te faria mil coisas, umas mais desagradáveis que outras; eu te faria...
10. — Vejamos, pobre Espírito; jamais tens um gesto generoso? Jamais tens um só desejo de fazer algum bem, ainda que fosse um vago desejo?
— Sim, um desejo vago de fazer o mal; não posso ter outro. E preciso que ores a Deus, para que eu seja tocado. Do contrário, continuarei mau. E certo.
11. — Então crês em Deus?
— Não posso deixar de crer, já que me faz sofrer.
12. — Então! já que acreditas em Deus, deves ter confiança em sua perfeição e em sua bondade. Deves compreender que ele não fez suas criaturas para votá-las à desgraça; que se são infelizes, é por sua própria culpa e não pela dele; mas que elas sempre têm meios de melhorar e, conseqüentemente, chegar à felicidade; que Deus não fez suas criaturas inteligentes sem objetivo e que esse objetivo é fazer que todas concorram para a harmonia universal: a caridade, o amor do próximo; que a criatura que se afasta de tal objetivo perturba a harmonia e ela própria é a primeira vitima a sofrer os efeitos dessa perturbação que causa. Olha em torno de ti e acima de ti: não vês Espíritos felizes? Não tens o desejo de ser como eles, já que dizes que sofres? Deus não os criou mais perfeitos do que tu; como tu, talvez tenham sofrido, mas se arrependeram e Deus lhes perdoou; tu podes fazer como eles.
— Começo a ver e a compreender que Deus é justo; eu ainda não tinha visto. Es tu que me vens abrir os olhos.
13. — Então! já não sentes o desejo de melhorar?
— Ainda não.
14. — Espera, que Ele virá. Eu o espero. Disseste à minha mulher que ela te torturava, enquanto te invocava. Crês que procuremos torturar-te?
— Não; bem vejo que não, Mas não é menos verdade que sofro mais que nunca e vós sois a causa disto.
OBSERVAÇÃO: Interrogado quanto à causa de tal sofrimento, um Espírito superior respondeu: A causa está no combate que Ele trava consigo mesmo; malgrado seu, sente algo que o arrasta para um melhor caminho, mas resiste; é essa luta que o faz sofrer. — Quem vencerá nele: o bem ou o mal? — O bem; mas a luta será longa e difícil. É preciso ter muita perseverança e devotamento.
15. — Que poderemos fazer para que não sofras mais?
—E preciso que ores a Deus para que me perd... (ele risca as duas últimas palavras) que tenha piedade de mim.
16.— Então! ora conosco.
— Não posso.
17. — Disseste que tens de crer em Deus, pois que ele te faz sofrer. Mas como sabes que é Deus quem te faz sofrer?
— Ele me faz sofrer porque sou mau.
18. — Se é verdade que julgas ser Deus quem te faz sofrer, deves reconhecer nisso o motivo e não podes imaginar que Deus seja injusto?
— Sim, creio na justiça de Deus.
19. — Disseste que nós te abrimos os olhos. Verdade ou não, o certo é que não podes dissimular a verdade do que te dizemos. Ora, quer tais verdades te sejam conhecidas antes de nós, ou por nós, o essencial é que as conheças. Hoje, o grande negócio para ti é tirar partido delas. Dize, pois, francamente, se a satisfação que experimentas em fazer o mal não te deixa nada a desejar.
— Desejo que meus sofrimentos acabem; eis tudo. E eles não acabarão nunca.
20. — Compreendes que depende de ti que eles acabem?
—Compreendo.
21. — Em tua última existência corpórea te entregaste sem reservas às más inclinações, como parece que fazes agora?
— Convém saberes que sou mais imundo que uma fera, sou um miserável que fez tudo até...
22. — Eu e minha mulher te fizemos algum mal? Tiveste que te lamentar de nós numa outra existência?
— Não; eu não...
23. — Então, dize por que encontras mais prazer em te encarniçares contra gente inofensiva como nós, que te queremos bem, em vez de contra gente má, que talvez seja, ou tenha sido tua inimiga? — Ele não me causam inveja.
OBSERVAÇÃO: Esta resposta é característica: pinta o ódio do mau contra os homens que sabe serem melhores que ele. É a inveja que cega e por vezes impele a atos mais contrários aos seus interesses. Há-os também aqui na Terra, onde muitas vezes os maiores erros de um homem, aos olhos de certas pessoas, têm o seu mérito. Aristides é um exemplo.
24. — Eras mais feliz na Terra, do que agora?
— Oh! sim. Eu era rico e de nada me privava. Cometi baixezas de toda sorte e fiz todo o mal que se pode, quando se tem dinheiro e miseráveis à disposição.
25. — Por que me pedias outro dia que te deixasse tranqüilo?
— Porque não queria responder às perguntas que me dirigias. Mas estou à vontade por me evocares e queria sempre escrever, porque o tédio me mata. Oh! não sabes o que é estar continuamente em presença das faltas e dos crimes, como estou!
26. — Que impressão experimentas à vista de uma ação generosa?
— Experimento despeito. Gostaria de aniquilá-la.
27. — Durante tua última existência corpórea jamais fizeste uma boa ação, fosse qual fosse o móvel?
— Fi-la por ambição e orgulho; jamais por bondade. Por isso, não me foi levada em conta.
Observação – Essas conversas se prolongaram durante grande número de sessões, e ainda neste momento, infelizmente sem resultado muito sensível. O mal domina sempre nesse Espírito, que só em raros intervalos demonstra alguns clarões de bons sentimentos; assim, é uma tarefa penosa para os seus instrutores.
Contudo, esperamos que com perseverança conseguirão domar essa natureza rebelde, ou ao menos que Deus leve em conta os seus esforços.
Contudo, esperamos que com perseverança conseguirão domar essa natureza rebelde, ou ao menos que Deus leve em conta os seus esforços.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Benfeitores Anônimos - Allan Kardec
(Revista Espírita 10/1863 )
O fato seguinte é relatado pela Patrie, de abril último:
“O proprietário de uma casa à rua do Cherche-Midi, tinha permitido anteontem que o inquilino se mudasse sem saldar a conta, mediante um reconhecimento de débito. Mas enquanto carregavam os móveis o proprietário arrependeu-se e quis ser pago antes da retirada dos móveis. O locatário se desesperava, sua mulher chorava e dois filhos em tenra idade imitavam a mãe. Um cavalheiro, condecorado com a Legião de Honra, passava no momento por aquela rua. Parou. Tocado por esse espetáculo desolador, aproximou-se do infeliz devedor, e, sabedor da quantia devida pelo aluguel, entregou-lhe duas notas e desapareceu, acompanhado pelas bênçãos daquela família, que salvava do desespero.”
A “Opinion du Midi”, jornal de Nimes, em julho relatava outro caso do mesmo gênero;
“Acaba de passar-se um fato tão estranho, pelo mistério com que se realizou, quão tocante por seu objetivo e pela delicadeza do procedimento do seu autor.
“Há três dias noticiamos que um violento incêndio tinha consumido quase que inteiramente a loja e as oficinas de um Sr. Marteau, marceneiro em Nîmes. Contamos a dor desse infeliz em presença de um sinistro que consumava a sua ruína, pois o seguro que tinha feito era infinitamente inferior ao valor das mercadorias destruídas.
“Soubemos hoje que três carretas contendo madeira de várias qualidades e instrumentos de trabalho foram levadas à frente da casa do Sr. Marteau e descarregadas em suas oficinas, meio devoradas pelo fogo.
“O encarregado das carretas respondeu às interpelações, alegando a ignorância em que se achava relativamente ao nome do doador, cuja vontade executava. Pretendeu não conhecer a pessoa que o havia encarregado de transportar a madeira e os utensílios ao Sr. Marteau, e nada saber fora dessa comissão. Retirou-se após ter descarregado as três viaturas.
“A alegria e a felicidade substituíram no Sr. Marteau o abatimento de que era impossível tirá-lo desde o dia do incêndio.
“Que o generoso desconhecido, que tão nobremente veio em socorro de um infortúnio que, sem ele, talvez tivesse sido irreparável, receba aqui os agradecimentos e as bênçãos de uma família que, desde hoje, lhe deve a mais doce consolação e que em breve talvez lhe deva a prosperidade.”
O coração fica novamente sereno ao se ler fatos semelhantes, que vêm, de vez em quando, fazer a contrapartida dos relatos de crimes e torpezas que os jornais exibem em suas colunas. Fatos como os acima relatados provam que a virtude não está inteiramente banida da terra, como julgam certos pessimistas. Sem dúvida o mal ainda domina, mas quando se procura na sombra, verifica-se que, sob a erva daninha há mais violetas, maior número de boas almas do que se espera. Se elas aparecem tão esparsas, é que a verdadeira virtude não se põe em evidência, por ser humilde; contenta-se com os prazeres do coração e a aprovação da consciência, ao passo que o vício se instala afrontosamente, em plena luz; faz barulho, porque é orgulhoso. O orgulho e a humildade são os dois pólos do coração humano: um atrai todo o bem; o outro, todo o mal; um tem calma; o outro, tempestade; a consciência é a. bússola que indica a rota conducente a cada um deles.
O benfeitor anônimo, como aquele que não espera a morte para dar aos que, não têm, é, sem contradita, o tipo do homem de bem por excelência; e a personificação da virtude modesta, que não busca aplausos dos homens. Fazer o bem sem ostentação é sinal inconteste de grande superioridade moral, porque é necessária uma fé viva em Deus e no futuro, abstração feita da vida presente e identificação com a vida futura para esperar a aprovação de Deus e renunciar à satisfação proporcionada pelo testemunho atual dos homens. O obsequiado abençoa de coração a mão generosa e desconhecida que o socorreu, e essa bênção sobe ao céu mais que os aplausos da multidão. Aquele que preza mais o sufrágio dos homens que o de Deus prova ter mais fé nos homens do que em Deus e que a vida presente lhe é mais que a vida futura. Se disser o contrário, age como quem não crê no que diz. Quanta gente que não faz obséquios senão com a esperança de ver o obsequiado proclamar o benefício do alto dos telhados! que em plena luz daria uma grande soma, mas na obscuridade não daria uma simples moeda! Eis por que disse. Jesus: Os que fazem o bem com ostentação já receberam sua recompensa.” Com efeito, àquele que busca sua recompensa na terra, Deus nada deve; só lhe resta a receber o preço de seu orgulho.
Que relação tem isto com o Espiritismo? talvez perguntem certos críticos. Quantos casos mais divertidos não contareis do que esta moral fastidiosa! (Jugement de la morale spirite, do Sr. Figuier, IV vol. pág. 369). Isto tem relação no sentido que o Espiritismo, dando uma fé inabalável na bondade de Deus e na vida futura, graças a ele, fazendo os homens o bem pelo bem, serão um dia menos esparsos do que hoje; os jornais terão menos crimes e suicídios a registrar e mais atos da natureza dos que deram lugar a estas reflexões.
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
A Cultura Espírita no Rio Grande do Sul através do jornal "A Evolução"
JOSÉ ROBERTO DE LIMA DIAS
(Trabalho apresentado no 5.º ENLIHPE - Fonte: http://www.espiritualidades.com.br/Liga/5_ENLIHPE_2009/trabalhos/14_jose_roberto.htm)
RESUMO
O presente trabalho, ao destacar a importância da imprensa espírita, em Rio Grande no final do século XIX, pretende discutir algumas questões fundamentais para a cultura espírita na fase pioneira dessa imprensa, através do jornal A Evolução, primeiro instrumento de divulgação e formação de uma consciência da filosofia espírita no Rio Grande do Sul. Portanto, apoia-se na análise da construção do discurso visando compreender o projeto cultural da Doutrina Espírita, especialmente, concentrando-se na investigação dos processos de significação humanos, através dessa imprensa, nos períodos de circulação da folha que ocorreu entre 1892 e 1893. Nessa trajetória, busca-se o processo e sua linguagem, os autores, o público alvo e a inserção cultural do Espiritismo, através dessa folha, na comunidade rio-grandina.
A CULTURA ESPÍRITA NO RIO GRANDE DO SUL ATRAVÉS DO JORNAL “A EVOLUÇÃO”
No Rio Grande do Sul, o Espiritismo teria chegado, segundo a tradição oral (1),por volta de 1868, com dois marinheiros espanhóis que primeiramente se estabeleceram em São José do Norte, eram eles “médiuns” e promoviam fenômenos de efeitos físicos. As pessoas que lhes procuravam obtinham resultados satisfatórios para seus problemas, quer de saúde quer de orientação para os desequilíbrios psíquicos. Ao chamar a atenção e atrair grande número de pessoas, curiosos ou desorientados que procuravam amparo, foram perseguidos pelo clero e então se transferiram para Rio Grande e mais tarde para a cidade de Pelotas.
No que tange à estruturação da imprensa espírita no Rio Grande do Sul, decorre num primeiro momento do surgimento de grupos de estudos familiares, que gradativamente passam a se institucionalizar dando origem aos “Centros Espíritas”, com a finalidade do estudo sério e metódico das chamadas “obras básicas” que formam o “Pentateuco Kardequiano”. Os primeiros periódicos que surgiram, configuram um padrão narrativo cujo discurso espírita emergia de princípios ético-morais, conforme paradigma estabelecido por Allan Kardec na introdução do primeiro número da “Revista Espírita” (Janeiro de 1858):
“Nossa Revista será, assim, uma Tribuna, na qual, entretanto, a discussão jamais deverá afastar-se das normas das mais estritas conveniências. Em uma palavra, discutiremos, mas não disputaremos.” (2)
Seguindo a orientação de Kardec, conforme sua afirmação na referida “Revista Espírita”, que a publicação deste primeiro periódico visava preencher uma lacuna, e que a “utilidade de um órgão especial é manter o público a par desta nova ciência bem como preveni-los dos “exageros da credulidade” (3), os espíritas rio-grandenses trataram logo de criar seus jornais, para veicular as idéias da “Codificação”, bem como registrar todos os fatos que ocorressem nas chamadas reuniões mediúnicas.
Prática esta, característica da cosmologia espírita, que dá lugar ao intercâmbio com o mundo metafísico, resultando em um circuito reconstrutivo da codificação escrita, assim, interagindo com as “obras básicas” no sentido de complementação. Resultando em uma “[...] literatura bastante variada, incluindo textos de divulgação, romances mediúnicos, dissertações, textos doutrinários, mensagens psicografadas, etc. [...]” (4). Assim, as práticas de escrita e leitura sempre desfrutaram de um importante lugar no interior dos centros espíritas.
Absorvidos pelo ideal espírita, os pioneiros da doutrina em Rio Grande buscaram na imprensa uma forma eficiente de divulgação e propaganda dos postulados por eles defendidos. Nesse sentido, lançam em 1º de fevereiro de 1892, a primeira edição do jornal A Evolução. Fundado por Domingos Toscano Barbosa, da Sociedade Espírita Rio- Grandense, sendo a primeira manifestação oficial da imprensa espírita, no Rio Grande do Sul, circulava quinzenalmente e tinha escritório próprio na rua 16 de julho nº 15. Até a edição nº 6, apresentava dimensões e formato 0,39 x 0,29, com 4 páginas e 3 colunas. Apresentava-se como collaboração livre ao custo de 1$000, por assinatura de três meses, com “pagamento adeantado”. Tinha como lema: “Se as palavras preparam o caminho, as obras o completam.” e “O mais bello de todos os templos é um coração puro”.
Notas:
(1) Confirmada por muitos militantes antigos do movimento espírita em Rio Grande, entre eles, Domingos Caruso que, por mais de 50 anos esteve à frente do movimento. Entretanto, o espiritismo institucionalizado ocorre com a fundação da Sociedade Spírita Rio-Grandense, em Rio Grande, conforme registro em ata do dia 29-05-1887. Ainda no final do século XIX, surge a Sociedade Espírita Allan Kardec, fundada em 1898 e a Sociedade Espírita Bezerra de Menezes, fundada em 26-02-1901. Em 12-03-1903, promove-se a fusão das três casas, originando-se a atual Sociedade Espírita Kardecista, localizada à rua General Neto nº 398.
(2) Kardec, Allan. Revista Espírita – jornal de estudos psicológicos. Tradução de Salvador Gentile. São Paulo: Instituto de Difusão Espírita, 1993.p.3.
(3) Idem, p.2.
(4) LEWGOY, Bernardo. A Antropologia Pós-Moderna e a Produção Literária Espírita. Horizontes Antropológicos, Porto Alegre: UFRGS, n.9, p. 87-113, jun.199
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALVES, Francisco das Neves. A pequena imprensa rio-grandina no século XIX. Rio Grande: Ed. FURG, 1999.
DE MARIO, Marcus Alberto. Espiritismo & Cultura: elementos de história, teologia e antropologia. Rio de Janeiro: Mauad, 2002.
KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução de Guillon Ribeiro. 59 ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 1992.
_______. Revista Espírita – jornal de estudos psicológicos. Tradução de Salvador Gentile. São Paulo: Instituto de Difusão Espírita, 1993.
LEWGOY, Bernardo. A Antropologia Pós-Moderna e a Produção Literária Espírita. Horizontes Antropológicos, Porto Alegre: UFRGS, n.9, p. 87-113, jun.1998.
MONTEIRO, Eduardo Carvalho. 100 anos de comunicação espírita em São Paulo (1881- 1981). São Paulo: Madras, 2003.
PINHEIRO, Ney da Silva. Síntese do Processo Histórico do Espiritismo no Rio Grande do Sul. A Reencarnação, Porto Alegre, n.419, p. 26-39, 2o . sem. 1999.
RAMOS, Clóvis. A imprensa espírita no Brasil: 1869-1978. Juiz de Fora: Instituto Maria, 1979.
sábado, 7 de novembro de 2009
Ciência, Espiritualidade e Ciência Espírita
(Camille Flammarion: cientista espírta)
Vinícius Lousada - educador
Em seus estudos sobre as relações possíveis entre a Nova Ciência e o campo da espiritualidade, Dalai Lama (1), autoridade máxima do budismo em sua corrente tibetana, destaca o papel espiritual e profundamente humanista que deveria ser assumido pela Ciência no mundo em que estamos de passagem.
Nesse sentido, a Ciência como um campo de conquistas tecnológicas e intelectuais deveria se deixar orientar pelo exercício indiscriminado da compaixão, ou seja, se permitir conduzir pelo desejo acendrado de aliviar o sofrimento onde ele esteja instalado.
Para tanto, seria preciso que a Ciência, falo aqui das ciências ordinárias em suas diversas ramificações, fosse afetada pela temática espiritualidade e se visse provocada a abrir mão do reducionismo materialista, cujo paradigma bem se encaixa aos interesses egoístas que hegemonicamente ainda comandam o desenvolvimento científico.
A crise ecológica se coloca à Ciência como forte questão que problematiza a ética que a tem orientado, aliás, a ética que tem sido assumida pelos homens e mulheres, no mundo, que pautam suas existências numa perspectiva materialista e imediatista que advoga pelo desejo, pela posse, pelo egoísmo, enfim.
Essa crise também denuncia o destino infausto que estamos produzindo para a nossa espécie – estabelecendo na dinâmica de ação e reação, que rege o cosmos, duros resgates coletivos –, pelo modo nada sábio que temos agido para conosco, com os demais seres vivos e para com a Mãe-Terra.
Como é fácil perceber não é a Ciência que é má. Os adjetivos niilista, reducionista e materialista não se aplicam somente ao campo do saber científico, pois, apesar de tanta oferta religiosa na sociedade, faltam-nos valores de espiritualidade que reorientem o nosso modo de ser e estar na realidade planetária, afinal, ainda nos deixamos conduzir por um paradigma empobrecido do ser humano.
Segundo Allan Kardec, o Espiritismo tem um importante papel a realizar, fazendo-se ponte entre a Ciência e o campo espiritual, sobretudo por ser uma ciência ética que estuda um objeto ignorado pelas outras ciências, cujos métodos de investigação estabelecidos em bases materialistas são incapazes de sondar.
Escreve o pensador orientado pelo Espírito de Verdade que:
“O Espiritismo não descobriu, nem inventou este princípio [da união do princípio espiritual para animar e organizar a matéria]; mas foi o primeiro a demonstrar-lhe, por provas inconcussas, a existência; estudou-o, analisou-o e tornou-lhe evidente a ação. Ao elemento material, juntou ele o elemento espiritual. Elemento material e elemento espiritual, esses os dois princípios, as duas forças vivas da Natureza. Pela união indissolúvel deles, facilmente se explica uma multidão de fatos até então inexplicáveis”. (2)
Verifiquemos que o Espiritismo encara sob o ponto de vista científico uma questão até então centralizada pelas conjecturas metafísicas e que as religiões tentaram tomar somente para si: o elemento espiritual.
Com Kardec, entendamos o elemento espiritual como um dos princípios constitutivos do universo, assim como a matéria e Deus, a Causa Primeira. Mas vale lembrar que “Individualizado, o elemento espiritual constitui os seres chamados Espíritos, como, individualizado, o elemento material constitui os diferentes corpos da Natureza, orgânicos e inorgânicos”. (3)
Voltando à crítica do Dalai Lama à ciência oficial, conforme podemos inferir de seus escritos, a Ciência precisa descobrir a consciência, a causa dos fenômenos subjetivos ou espirituais e, a partir desse ponto, reconfigurar seu direcionamento ético para o altruísmo.
Nessa linha de análise precisaríamos de uma ciência da consciência, ou seja, uma ciência que nos ensine a perceber a realidade espiritual e a prestarmos atenção em nossa verdadeira natureza.
Essa é a proposta mesmo da Ciência Espírita ao descortinar, baseada em evidências científicas acerca dos fenômenos mediúnicos recolhidas na metodologia kardequiana, a realidade do Espírito imortal.
Entretanto, a utilidade desse saber está na razão direta de sua aplicação por parte daqueles que dele tomam conhecimento. Logo, quando se fala numa ciência da consciência é oportuno não esquecermos que a consciência não-localizada no corpo físico é o próprio Espírito (somos nós), a individualidade incorpórea dotada de inteligência, pensamento e vontade.
Desse modo, é preciso que nos apropriemos de tal forma do saber exarado nas obras fundamentais da Doutrina dos Espíritos que, por consequência, nos façamos senhores de nós mesmos, ou seja, emancipados intelectualmente da cegueira espiritual do materialismo, tanto quanto das superstições.
Estudando Kardec:
"Demonstrando a ação do elemento espiritual sobre o mundo material, alarga o domínio da ciência e, por isto mesmo, abre uma nova via ao progresso material. Então terá o homem uma base sólida para o estabelecimento da ordem moral na Terra; compreenderá melhor a solidariedade que existe entre os seres deste mundo, desde que esta se perpetue indefinidamente; a fraternidade deixa de ser palavra vã; ela mata o egoísmo, em vez de ser morta por ele e, muito naturalmente, imbuído destas ideias, o homem a elas conformará as suas leis e suas instituições sociais.” (4)
(Texto publicado em: http://www.oconsolador.com.br/ano3/132/vinicius_lousada.html e na Revista Internacional de Espiritismo de novembro de 2009)
Referências:
(1) LAMA, Dalai. O universo em um átomo: o encontro da ciência com a espiritualidade. Rio de Janeiro: Ediouro, 2006.
(2) A Gênese segundo o Espiritismo, cap. I, item 18.
(3) A Gênese segundo o Espiritismo, Cap. XI, item, 6.
(4) Revista Espírita, novembro de 1864 – O Espiritismo é uma ciência positiva.
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
A beneficência
E tu, pobre operária, que não dispõe de sobras, mas que desejas, no amor por teus irmãos, dar também um pouco do que possuis, oferece algumas horas do teu dia, do teu tempo, que é o teu único tesouro. Faze alguns desses trabalhos elegantes que tentam os felizes, vende o produto dos teus serões, e poderás também proporcionar, a teus irmãos a tua parte de alívio. Terás, talvez, algumas fitas a menos, mas darás sapatos aos que vivem descalços.
E vós, mulheres devotadas a Deus, trabalhai também para as vossas obras piedosas, mas que os vossos trabalhos delicados e custosos não sejam feitos apenas para ornar as vossas capelas, ou para atrair a atenção sobre a vossa habilidade e paciência. Trabalhai, minhas filhas, e que o resultado de vossas obras seja consagrado ao alívio de vossos irmãos em Deus. Os pobres são os Seus filhos bem-amados: trabalhar por eles é glorificá-Lo. Sede os instrumentos da Providência, que diz: Às aves do céu, Deus dá o alimento. Que o ouro e a prata, tecidos pelos vossos dedos, se transformem em roupas e provisões para os necessitados. Fazei isso, e o vosso trabalho será abençoado.
E todos vós, que podeis produzir, dai: dai o vosso gênio, dai as vossas inspirações, dai o vosso coração, que Deus vos abençoará. Poetas, literatos, que sois lidos somente pela gente de sociedade, preenchei os seus lazeres, mas que o produto de algumas de vossas obras seja destinado ao alívio dos infelizes. Pintores, escultores, artistas de todos os gêneros, que vossa inteligência venha também ajudar os vossos irmãos: não tereis menos glória por isso, e eles terão alguns sofrimentos a menos.
Todos vós podeis dar: a qualquer classe a que pertençais, tereis sempre alguma coisa que pode ser dividida. Seja o que for que Deus vos tenha dado, deveis uma parcela aos que não têm sequer o necessário, pois, em seu lugar ficaríeis contentes, se alguém dividisse convosco. Vossos tesouros da terra diminuirão um pouco, mas vossos tesouros do céu serão mais abundantes: colhereis pelo cêntuplo, lá em cima, o que semeardes em benefícios aqui em baixo.
João
Bordeaux, 1861
(O Evangelho segundo o Espiritismo, Cap. XII, item 16)
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Revista Espirita (FEB) para download
A FEB acaba de disponibilizar para download gratuito a sua tradução da Revista Espírita publicada pelo mestre Allan Kardec de 1858 a 1869.
Ao leitor que queria ter acesso a esse material que é um verdadeiro curso dinâmico de Espiritismo basta clicar em: http://www.febnet.org.br/site/livros.php?SecPad=370&Sec=406
Bons Estudos!
Estudando Kardec
domingo, 18 de outubro de 2009
O Espiritismo é uma ciência positiva
"O Espiritismo, eu o repito, em demonstrando, não por hipótese, mas por fatos, a e-xistência do mundo invisível, e o futuro que nos espera, muda totalmente o curso das i-déias; dá ao homem a força moral, a coragem e a resignação, porque ele não trabalha mais somente para o presente, mas para o futuro; sabe que se não goza hoje, gozará amanhã. Demonstrando a ação do elemento espiritual sobre o mundo material, alarga o domínio da ciência e abre, por isso mesmo, um novo caminho ao progresso material. O homem terá, então, uma base sólida para o estabelecimento da ordem moral sobre a Ter-ra; compreenderá melhora solidariedade que existe entre os seres deste mundo, uma vez que essa solidariedade se perpetua indefinidamente; a fraternidade não é mais uma pala-vra vã; ela mata o egoísmo em lugar de ser morta por ele, e muito naturalmente o homem, imbuído dessas idéias, nisso conformará às suas leis e suas instituições sociais.
O Espiritismo conduz inevitavelmente a essa reforma; assim se cumprirá, pela força das coisas, o revolução moral que deve transformar a Humanidade e mudar a face do mundo, e isso tudo simplesmente pelo conhecimento de uma nova lei da Natureza que dá um outro curso às idéias, que dá um resultado a esta vida, um objetivo às aspirações do futuro, e faz encarar as coisas de um outro ponto de vista.
Se os detratores do Espiritismo - falo daqueles que militam para o progresso social, dos escritores que pregam a emancipação dos povos, a liberdade, a fraternidade e a re-forma dos abusos - conhecessem as verdadeiras tendências do Espiritismo, a sua impor-tância e seus resultados inevitáveis, em lugar de abafá-lo como o fazem, de lançar sem cessar entraves em seu caminho, nele veriam a mais poderosa alavanca para chegar à destruição dos abusos que combatem; em lugar de lhe serem hostis, o aclamariam como um socorro providencial; infelizmente, a maioria crê mais neles do que na Providência. Mas a alavanca age sem eles e apesar deles, e a irresistível força do Espiritismo nisso será tanto melhor constatada quanto tiver tido mais a combater. Um dia dir-se-á deles, e isso não será à sua glória, o que dizem eles mesmos daqueles que combateram o movimento da Terra e daqueles que negaram a força do vapor. Todas as negações, todas as perseguições, não impediram essas leis naturais de seguir o seu curso; do mesmo modo todos os sarcasmos da incredulidade não impedirão a ação do elemento espiritual que é também uma lei da Natureza.
O Espiritismo, considerado dessa maneira, perde o caráter de misticismo que lhe censuram seus detratores, aqueles pelo menos que não o conhecem; não é mais a ciên-cia do maravilhoso e do sobrenatural ressuscitada, é o domínio da Natureza enriquecido de uma lei nova e fecunda, uma prova a mais do poder e da sabedoria do Criador; são, enfim, os limites dos conhecimentos humanos recuados.
Tal é, em resumo, senhores, o ponto de vista sob o qual é preciso encarar o Espiri-tismo. Nesta circunstância, qual foi o meu papel? Não foi nem o de inventor, nem o de criador; eu vi, observei, estudei os fatos com cuidado e perseverança; coordenei-os e lhes deduzi as conseqüências: eis toda a parte que nisso me toca; o que fiz, um outro teria podido fazê-lo em meu lugar. Em tudo isso fui um simples instrumento dos desígnios da Providência, e dou graças a Deus e aos bons Espíritos por terem consentido em se servirem de mim; é uma tarefa que aceitei com alegria, e da qual me esforço para me tornar digno, rogando a Deus me dar as forças necessárias para cumpri-la segundo a sua santa vontade. No entanto, esta tarefa é pesada, mais pesada do que ninguém pode crer; se ela tem para mim algum mérito, é que tenho a consciência de não ter recuado diante de nenhum obstáculo, nem de nenhum sacrifício; essa será a obra de minha vida até meu último dia, porque diante de um objetivo tão importante, todos os interesses materiais e pessoais se apagam, como os pontos diante do infinito.
Termino esta curta exposição, senhores, dirigindo felicitações sinceras àqueles de nossos irmãos da Bélgica, presentes ou ausentes, cujo zelo, devotamento e perseverança contribuíram para implantar o Espiritismo neste país. As sementes que depositaram nos grandes centros populacionais, tais como Bruxelas, Anvers, etc., não terão sido, disso estou seguro, lançadas sobre um solo estéril."
(Trecho do artigo "O Espiritismo é uma ciência positiva" de Allan Kardec na Revista Espírita de novembro de 1864)
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
A Melancolia
25 – Sabeis por que uma vaga tristeza se apodera por vezes de vossos corações, e vos faz sentir a vida tão amarga? É o vosso Espírito que aspira à felicidade e à liberdade, mas, ligado ao corpo que lhe serve de prisão, se cansa em vãos esforços para escapar. E, vendo que esses esforços são inúteis, cai no desânimo, fazendo o corpo sofrer sua influência, com a languidez, o abatimento e uma espécie de apatia, que de vós se apoderam, tornando-vos infelizes.
Acreditai no que vos digo e resisti com energia a essas impressões que vos enfraquecem a vontade. Essas aspirações de uma vida melhor são inatas no Espírito de todos os homens, mas não a busqueis neste mundo. Agora, que Deus vos envia os seus Espíritos, para vos instruírem sobre a felicidade que vos está reservada, esperai pacientemente o anjo da libertação, que vos ajudará a romper os laços que mantém cativo o vosso Espírito. Pensai que tendes a cumprir, durante vossa prova na Terra, uma missão de que já não podeis duvidar, seja pelo devotamento à família, seja no cumprimento dos diversos deveres que Deus vos confiou.
E se, no curso dessa prova, no cumprimento de vossa tarefa, virdes tombarem sobre vós os cuidados, as inquietações e os pesares, sede fortes e corajosos para os suportar. Enfrentai-os decisivamente, pois são de curta duração e devem conduzir-vos junto aos amigos que chorais, que se alegrarão com a vossa chegada e vos estenderão os braços, para vos conduzirem a um lugar onde não têm acesso às amarguras terrenas.
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