segunda-feira, 27 de outubro de 2008

DEFINIÇÕES KARDEQUIANAS

Como Allan Kardec definiu o Espiritismo:


Ciência:

“O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos Es­píritos, bem como de suas relações com o mundo corporal.” (O que é o Espiritismo, Preâmbulo)

“O Espiritismo é uma ciência de observação...” (O que é o Espiritismo, cap. I)

“O Espiritismo é a ciência nova que vem revelar aos homens, por meio de provas irrecusáveis, a existência e a natureza do mundo invisível e as suas relações com o mundo visível.” (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. I, item 6)

"O Espiritismo caminha ao lado da ciência no campo da matéria: admite todas as verdades que a ciência comprova; mas não se detém onde ela pára: prossegue nas suas pesquisas no campo da espiritualidade." (Obras Póstumas, I Parte "in fine")


FILOSOFIA

"Há duas coisas no Espiritismo: a parte experimental das manifestações e a doutrina filosófica." (O que é o Espiritismo, FEB, 17ª ed, p. 119)

A força do Espiritismo "está na sua filosofia, no apelo que dirige à razão, ao bom-senso." (O Livro dos Espíritos, conclusão, item VI)

"Este livro (...) foi escrito por ordem e mediante ditado de Espíritos superiores, para estabelecer os fundamentos de uma filosofia racional, isenta dos preconceitos do espírito de sistema." (O Livro dos Espíritos, Prolegômenos)

"A explicação dos fatos que o Espiritismo admite, de suas causas e conseqüências morais, forma toda uma ciência e toda uma filosofia, que reclamam estudo sério, perseverante e aprofundado.” (O Livro dos Médiuns, item 14, item 7º)


espiritualidade

"A bandeira que arvoramos bem alto é a do Espiritismo cristão e humanitário,em torno da qual somos felizes de ver desde já tantos homens se juntarem em todos os pontos da Terra, porque compreendem que está nela (...) o signo de uma nova era para a humanidade." (O Livro dos Médiuns, 1861, cap. 24 "in fine", Edicel, trad. J.Herculano Pires)

"A vaidade de certos homens, que crêem saber tudo e tudo querem explicar à sua maneira, dará origem a opiniões dissidentes, mas todos os que tiverem em vista o grande princípio de Jesus se confundirão no mesmo sentimento de amor ao bem e se unirão por um laço fraterno que envolverá o mundo inteiro; deixarão de lado as mesquinhas disputas de palavras para somente se ocuparem das coisas essenciais." (O Livro dos Médiuns,1861, pp. 54/55)

“Não tendo o Espiritismo nenhum dos caracteres de uma religião, na acepção usual do vocábulo, não podia nem devia enfeitar-se com um título sobre cujo valor inevitavelmente se teria equivocado. Eis porque simplesmente se diz: doutrina filosófica e moral”. (Revista Espírita, dez/1868. Discurso de 01-11-1868 na SPES)


(enviado por Aureci Martins, I. E. Terceira Revelação Divina/POA-RS)

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

O CONSOLO DAS EVOCAÇÕES

935. Que pensar da opinião das pessoas que consideram as comunicações de além túmulo como uma profanação?
– Não pode haver profanação quando há recolhimento e quando a evocação é feita com respeito e decoro. O que o prova é que os Espíritos que vos são afeiçoados se manifestam com prazer, sentem-se felizes com a vossa lembrança e por conversarem convosco. Profanação haveria se as evocações fossem feitas com leviandade.

A possibilidade de entrar em comunicação com os Espíritos é uma bem doce consolação, que nos proporciona o meio de nos entretermos com os parentes e amigos que deixaram a Terra antes de nós. Pela evocação eles se aproximam de nós, permanecem ao nosso lado, nos ouvem e nos respondem. Não existe mais, por assim dizer, separação entre nós e eles, que nos ajudam com os seus conselhos, nos dão testemunho da sua afeição e do contentamento que experimentam por nos lembrarmos deles. E para nós uma satisfação sabê-lo felizes e aprender através deles as detalhes da sua nova existência, adquirindo a certeza de um dia, por nossa vez, nos juntarmos a eles.

(Questão 935 do L.E. seguida do comentário de Kardec - tradução de Herculano Pires)

Enviado por Larissa Carvalho - camachocarvalho@yahoo.com.br

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Por que Allan Kardec?

Artigo publicado em Reformador, abril de 1986, pp. 102-3.
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Silvio Seno Chibeni

Dogmatismo? Tradicionalismo? Fanatismo? Visão estreita?

Vejamos:

A obra de Allan Kardec, quando analisada internamente, revela uma solidez lógica, uma racionalidade, uma limpidez argumentativa, uma coerência de fazerem inveja aos mais conceituados tratados filosóficos que a Humanidade possui;

Allan Kardec revelou, em tudo o que fez, uma prudência, um equilíbrio, uma sobriedade, um espírito positivo e despreconcebido, um bom senso, enfim, que singularizam sua figura entre todos os expoentes da cultura humana;

A obra de Allan Kardec, contrariamente ao que em geral acontece com outras que abordam os mesmos assuntos, está firme e amplamente baseada em fatos, cuidadosa e minuciosamente examinados à luz dos referidos critérios racionais; não surgiu entre as quatro paredes de um gabinete, mas de uma extensa convergência de informações;

Allan Kardec era possuidor de uma vasta erudição, transitando inteiramente à vontade pelos mais variados campos do saber – das ciências às artes, das filosofias às religiões – o que lhe permitiu trazer ao seu domínio de estudo os mais relevantes problemas que interessam ao homem, dentro de uma visão abarcante e integrada da realidade;

A obra de Allan Kardec apresenta-se dentro de padrões de clareza e objetividade tais, que não deixa nenhuma margem a ambigüidades e mal-entendidos, especialmente quanto aos pontos fundamentais;

Allan Kardec soube ser impessoal, separando com rigor suas opiniões pessoais e peculiaridades de sua vida privada do conhecimento doutrinário, que é independente e objetivo; jamais pretendeu a posse exclusiva e completa da verdade, nunca recusou um princípio pelo só fato de ter sido descoberto ou proposto por outrem, nunca hesitou em abandonar uma idéia quando provada errônea por argumentos insofismáveis;

A obra de Allan Kardec é incomparavelmente abrangente, ocupando-se desde os fatos mais palpáveis, destacadamente os relativos à sobrevivência do ser, até as mais profundas investigações da ética, passando pelo exame lúcido das grandes questões filosóficas que ao longo das eras têm desafiado o raciocínio do homem;

Allan Kardec tem sido confirmado, por fontes independentes e fidedignas, como um grande emissário de Jesus, especialmente escolhido por Ele para concretizar na Terra a Sua promessa do envio do Consolador, [nota 1] que nada mais é do que o Espiritismo, que veio para nos ensinar todas as coisas (o esclarecimento abundante que traz), para nos fazer lembrar tudo o que Jesus nos disse (a sanção e explicação que ele nos dá dos Evangelhos), e que estará sempre conosco (a perenidade do Espiritismo);

A obra de Allan Kardec não é uma estrutura estática e fechada, mas sim dinâmica e aberta a complementações futuras, incorporando a característica da progressividade, essencial a todo sistema científico ou filosófico que não pretenda ser sepultado pelas constantes e inevitáveis descobertas de fatos novos e pela ampliação geral do conhecimento humano;
Allan Kardec testemunhou em todos os atos de sua vida a sua condição de Espírito de escol: jamais prejudicou a alguém; só com o bem retribuiu as ingratidões, ofensas e calúnias com que em vão tentaram embaraçar-lhe os passos; doou-se por completo à grande obra de educação dos homens que é o Espiritismo: a ela sacrificou o conforto, o repouso, os bens materiais, a saúde e até a própria vida.

Estudemos com seriedade essa obra. Conheçamos de perto esse autor. [nota 2]

Depois, comparemo-los à obras e autores que os pretendam superar. Quais se poderão gloriar de fazer-lhes frente em apenas algumas das dez características enumeradas (para não dizer em todas)?

Retornemos, por fim, à questão: Por que Allan Kardec?

Talvez já não seja difícil respondê-la ... [nota 3]



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Notas:

1.Cf. Evangelho de João, cap. 14.[volta]

2. Para uma visão precisa, detalhada e completa da personalidade de Allan Kardec, bem como das origens, dimensões e significado de sua obra, consulte-se o livro Allan Kardec (3 vols.), de Zêus Wantuil e Francisco Thiesen, editado pela Federação Espírita Brasileira em 1979/80.[volta]

3. Para uma exposição do caráter legitimamente científico (à luz da moderna filosofia da ciência) do desenvolvimento de uma atividade de pesquisa em torno de um núcleo de princípios básicos (como o Espiritismo o faz em relação aos princípios fundamentais da obra de Allan Kardec), veja-se o artigo "Espiritismo e ciência", em Reformador de maio de 1984. (Nota do Autor em outubro de 1998: Para o mesmo tema, ver também os artigos "A excelência metodológica do Espiritismo" e "O paradigma espírita", publicados na mesma revista, números de novembro e dezembro de 1988 e junho de 1994, respectivamente.) [volta]

(texto extraído do site: http://www.geocities.com/Athens/Academy/8482/porque.html)

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Pai Nosso


Senhor Deus, nosso Pai, que estás presente
No fulgor das galáxias infinitas,
Que, mesmo sendo a tudo transcendente,
Até no pó dos átomos habitas.

Seja a tua presença percebida
Como a causa maior que tudo enseja:
Que saibam todos que és a luz da vida
E o nome Teu glorificado seja!

Que o Teu Reino de amor e de verdade
Em nossos corações por fim se alteie,
Erguendo em nós o altar da caridade
E a fé raciocinante nos norteie.

Seja a Tua vontade soberana,
Que nas leis naturais tem expressão,
O roteiro de luz da espécie humana
Na conquista da regeneração.

Nosso corpo carnal, mero instrumento,
Dá que, de pão, não sofra por carência;
Mas ao ser imortal, como alimento,
Faz com que chegue a espírita ciência.

Que a Tua sereníssima presença
Em nossos atos seja refletida,
E nem sequer tomemos por ofensa
Qualquer injúria que nos chegue à vida.

E não nos deixes, Pai, fracos, entregues
Aos impulsos sombrios que nos assaltem:
Que bondosos espíritos delegues
Para suprirem forças que nos faltem

E que possam também nos proteger
Do mal que neste mundo inda viceja,
Pois que ao Teu supérrimo poder
Tudo sempre se inclina. Que assim seja!

( Versos de Aureci Figueiredo Martins,
aureci@globo.com )

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

A DOUTRINA ESPÍRITA E A JUSTIÇA

s instituições jurídicas são um reflexo inegável do avanço ou

Carolina Paulsen - Bacharel em Direito e Pós-graduanda em Direitos Humanos - Pelotas/RS. E-mail: carolina.paulsen@gmail.com



As instituições jurídicas são um reflexo inegável do avanço ou atraso moral de uma determinada sociedade. Basta recordar o quão longa foi a caminhada da Humanidade em direção a um Direito mais humanizado, mais consoante com a dignidade intrínseca de todo ser humano. Nesse sentido, a história da justiça é também a história da razão prevalecendo sobre a barbárie.

A Doutrina Espírita há muito elucidou este fato, no Livro dos Espíritos, questão número 795, quando os Espíritos responderam ao questionamento de Kardec sobre a causa da instabilidade das leis humanas: “Nas épocas de barbaria, são os mais fortes que fazem as leis e eles as fizeram para si. À proporção que os homens foram compreendendo melhor a justiça, indispensável se tornou a modificação delas. Quanto mais se aproximam da vera justiça, tanto menos instáveis são as leis humanas, isto é, tanto mais estáveis se vão tornando, conforme vão sendo feitas para todos e se identificam com a lei natural”1.

Tem-se, portanto, a lei natural –ou divina- eterna, imutável e perfeita em todos os seus caracteres e a lei humana, imperfeita, mutável e em constante processo de evolução, rumo à similitude com a lei divina2.

Se na infância da humanidade, os primeiros códigos escritos consagravam a lei do “olho por olho, dente por dente”, paulatinamente, e conforme a evolução moral do orbe terrestre, as leis humanas foram adaptando-se aos novos tempos e aproximando-se da lei divina. Aos poucos o Direito foi livrando-se do ranço autoritário de outrora, sempre sob a tutela dos Espíritos Superiores, que permitiram a evolução das instituições jurídicas conforme o avanço moral dos habitantes do Planeta. Não se pode olvidar que há não muito tempo atrás o Direito legitimava a escravidão, a guerra de conquista e tantas outras práticas que hoje chocam a consciência do homem comum. Porém, seria após sangrentos conflitos, como a Revolução Francesa de 1789 e a Segunda Guerra Mundial, que a Humanidade veria finalmente nos seus códigos jurídicos o feito que mais aproximou o Direito humano do Direito divino: a consagração dos direitos humanos fundamentais.

Tais direitos representam, juridicamente, a garantia de que todo ser humano é igual ao outro e que todos nós temos o dever de agir uns para com os outros num espírito de fraternidade. O Direito agora representa um conjunto de valores comuns que todos nós temos o dever de preservar se quisermos manter a comunidade humana na senda do progresso.

A Doutrina Espírita há muito nos ensina que Deus imprimiu na consciência de cada um o conhecimento da lei divina – porém as paixões humanas tantas vezes calaram os reclames de justiça da mente de nossos legisladores, seres imperfeitos como nós, resultando em iniqüidades e retrocessos para o planeta. O Direito hoje, graças à consagração dos direitos humanos, é a voz de uma consciência ética comum universal, cada vez mais próxima do Direito divino, rumo ao desenvolvimento moral de nosso planeta.

Instituições como o Tribunal Penal Internacional, o Direito Humanitário3 e o Direito Internacional dos Direitos Humanos justificam a esperança de um progresso cada vez maior de nosso planeta e nossas instituições, representando um verdadeiro sinal dos tempos, manifestações de um Direito cada vez mais humanizado e acorde com os princípios da prevalência absoluta da dignidade humana e da caridade cristã. Não está longe o tempo em que todo ser humano será um irmão em dignidade e em direitos e não mais há de prevalecer a iniqüidade e a injustiça em nossa morada terrestre – tempo que certamente a Doutrina Espírita ajudará a construir.

1 O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2003, p. 371.

2 Ver a questão 797 do Livro dos Espíritos, que estatui: “797. Como poderá o homem ser levado a reformar suas leis? Isso ocorre naturalmente, pela força mesma das coisas e da influência das pessoas que o guiam na senda do progresso. Muitas já ele reformou e muitas outras reformará. Espera!”. (op. cit., p. 372).

3 O Direito Humanitário é um conjunto de normas que busca proteger, em tempo de guerra, as pessoas que não participam das hostilidades ou deixaram de participar. Seu principal escopo é limitar o sofrimento humano em tempo de conflito armado. Ou seja, em nossos tempos, até mesmo a guerra está limitada.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

A COMPLEXIDADE DOS SABERES ESPÍRITAS

Vinícius Lousada

É interessante observar a conexão entre os saberes organizados em O Livros dos Espíritos e as demais obras da Codificação, há entre eles uma inter-relação, ou seja, todos os pontos se correlacionam numa harmonia de conjunto e são filosoficamente interdependentes, uns desaguam nos outros de tal forma que a inteligibilidade acerca de determinado aspecto pede a igual compreensão de outros mais.
Como uma tapeçaria – trata-se de uma metáfora - composta pelo entrelaçamento de seus fios, se nos apresenta o Espiritismo. Seus princípios e conceitos estão conectados, entrecruzam-se formando o todo doutrinário, num fluxo contínuo de informações tecidas dialogicamente entre si.
Emerge a necessidade de serem desdobrados os temas abordados na primeira obra e assim, passam a figurar no painel da Doutrina Espírita, as demais obras da Codificação, tais como: O Livro dos Médiuns, O Evangelho segundo o Espiritismo, A Gênese e O Céu e o Inferno.
Trata-se da execução, no plano terrestre, de um projeto estruturado anteriormente no mundo dos Espíritos por uma equipe vasta de colaboradores, da qual Kardec era um de seus diletos membros, liderados pelo Espírito Verdade. Trata-se da concretização do Consolador anunciado outrora pelo Mestre Nazareno, cujo início pode ser demarcado em 18 de abril de 1857, com a publicação de O Livro dos Espíritos.



Alguns aspectos do conteúdo de O Livro dos Espíritos

Contendo a ciência do infinito, essa obra nos apresenta um estudo, no seu Livro Primeiro, das Causas Primárias – Deus, os elementos gerais do universo, a Criação universal e o princípio vital - contemplando um entendimento sobre intrincadas questões que o dogmatismo religioso não dava conta de esclarecer ante as exigências do emergente culto à racionalidade do século XIX, herdeiro do iluminismo francês.
Vale destacar, por exemplo, a concepção espírita de Deus, da Inteligência Suprema num caráter não-antropomórfico, como a Causa Primeira de todas as coisas. Porém, os Espíritos vão deixar claro nossos limites intelectuais para entender a natureza íntima de Deus.
Certamente, esse apontamento não faz parte da tradição das religiões que comumente apresentam como “mistério da fé” aquilo que a racionalidade humana é incapaz de abarcar dado o seu insipiente desenvolvimento. Os Espíritos Superiores afirmam várias vezes a Allan Kardec que nem mesmo eles conhecem, em profundidade, natureza de Deus, da qual somente podem nos dar uma pálida idéia frente ao reconhecimento sábio da própria ignorância, de seu compromisso com a verdade e, sobretudo, em função de nossos parcos recursos intelectuais.
Somente entenderemos Deus quando estivermos mais desmaterializados e, mediante o nosso aperfeiçoamento, Dele estivermos mais próximos, tal como se pode entender da questão 11 de O Livro dos Espíritos.
Quando Kardec perscruta esses saberes, os Guias da humanidade advertem: “(...) Estudai as vossas próprias imperfeições, a fim de vos desembaraçardes delas, o que vos será mais útil o que quererdes penetrar o que é impenetrável.”
[1] Mas, das elucidações dos Espíritos, o nobre mestre delineou os atributos da Divindade, um conjunto de qualidades que aproximam as nossas conjecturas de um entendimento possível em referência ao Pai Celeste.
No Livro Segundo da obra fundamental do Espiritismo, a temática que passa a ser estudada é o Mundo Espírita. Nela os Espíritos abordam a questão da nossa natureza espiritual e origem – sendo os meandros dessa última um mistério
[2] até mesmo para os Espíritos Superiores.
No Mundo Espírita encontramos também a escala espírita, que deveria receber maior atenção dos adeptos do Espiritismo, aliás, como toda a obra do Codificador para que se possa ter um entendimento mais coerente e fiel sobre o seu conteúdo doutrinário.
A escala espírita, consistindo numa classificação, não absoluta, das diferentes ordens de Espíritos, leia-se categorias evolutivas de todos nós, em conformidade com as nossas aquisições intelectuais e morais, é uma ferramenta excelente para todos que lidam com a questão da mediunidade.
Kardec considerou a escala espírita como a chave da ciência espírita
[3], como um quadro capaz de ajudar a determinar a ordem ou o grau de elevação ou inferioridade dos Espíritos com os quais venhamos a travar contato, permitindo-nos alinhavar, por conseqüência, o grau de confiança de que são merecedores ou não.
Além de tratar de temas como a desencarnação, a realidade da vida espiritual e os fenômenos de emancipação da alma, as ações interventoras dos Espíritos no mundo corpóreo, suas ocupações e os reinos da Natureza, o Livro Segundo dá a devida atenção ao dogma filosófico da reencarnação.
A reencarnação é um verdade universal que vai ganhar essa terminologia com Allan Kardec, no recolhimento de variadas comunicações espíritas que vão delinear esse princípio. Ela rasga o paradigma da unicidade da existência, postulado pela teologia tradicional, revigorando a lei dos renascimentos, ensinada no seio de algumas tradições espirituais antigas e apresentado por Jesus Cristo naquele célebre diálogo entre o Mestre e o doutor da lei chamado Nicodemos.
Aprendemos que precisamos renascer para evoluir, somente o retorno à conexão com a carne nos permite galgar progressivamente a escala evolutiva rumo à perfeição relativa que somos vocacionados a atingir.
Em seu Livro Terceiro, encontramos as leis morais, mais tarde atendidas em O Evangelho segundo o Espiritismo cujo foco de atenção é a essência moral dos ensinos de Jesus. Na leitura atenta e sem preconceito do iluminado conteúdo dessa terceira parte, apreende-se a perfeita convergência entre o Cristianismo do Cristo – em contraposição ao que dele fizeram os homens – com toda a moral lecionada pelos Espíritos Superiores.
Aqui vale ressaltar, entre outras tantas passagens dignas de relevo, a questão do homem de bem. Fica claro que a categoria “homem de bem” se trata da meta comportamental que deve ser perseguida por todos aqueles que abraçam o Espiritismo como filosofia de vida, buscando num exercício perseverante de auto-aperfeiçoamento, a vivência da lei de justiça, amor e caridade em toda a sua amplitude.
Por fim, no Quarto Livro, podemos verificar que tem atenção o sofrimento e a felicidade nas paragens terrestres e na vida futura, concedendo-nos a compreensão de que somos todos artífices da nossa felicidade nas duas dimensões da vida, que ninguém escapa à lei de retorno, sendo necessário o reencontro educativo da consciência culpada com as conseqüências de suas ações antiéticas, da mesma forma que, aquele que trilha um caminho justo e nobre, recolhe no calhau das experiências, os felizes resultados de suas ações.
A conclusão de O Livro dos Espíritos, perfeitamente sincronizada com as demais partes da obra, não deixa a desejar e aborda, inclusive, três efeitos gerais da compreensão do Espiritismo Filosófico
[4], sendo esses: o desenvolvimento do sentimento religioso; a resignação ante as vicissitudes da vida e a indulgência para com as imperfeições alheias.


(artigo publicado na íntegra na Revista Reencarnação -FERGS - de nº 433, com o título "O Livro dos Espíritos e a Codificação)

[1]KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. Especial. ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 2007, questão 14.
[2]KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. Especial. ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 2007, questão 78.
[3]KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. Especial. ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 2007, questão 100.
[4]KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. Especial. ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 2007, p. 635.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

RELIGIÃO, NO SENTIDO FILOSÓFICO...


"[...] o Espiritismo é, assim, uma religião? Sim, sem dúvida, senhores: No sentido filosófico o Espiritismo é uma religião, e disso nos honramos, pois que é a doutrina que funda os laços da fraternidade e da comunhão de pensamentos não em uma simples convenção, mas sobre a mais sólida das bases: as próprias leis da Natureza.

Por que então declaramos que o Espiritismo não era uma religião? Pela razão de que há apenas uma palavra para exprimir duas idéias diferentes, e que, segundo a opinião geral, o termo religião é inseparável da noção de culto, evocando unicamente uma idéia de forma, com o que o Espiritismo não guarda qualquer relação. Se se tivesse proclamado uma religião, o público nele não veria senão uma nova edição, ou uma variante, se quisermos, dos princípios absolutos em matéria de fé, uma casta sacerdotal com seu cortejo de hierarquias, cerimônias e privilégios; não o distinguiria das idéias de misticismo e dos enganos contra os quais se está freqüentemente bem instruído.

Não apresentando nenhuma das características de uma religião, na acepção usual da palavra, o Espiritismo não poderia nem deveria ornar-se de um título sobre cujo significado inevitavelmente haveria mal-entendidos. Eis porque ele se diz simplesmente uma doutrina filosófica e moral."


Revue Spirite, Dezembro de 1868.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

sexta-feira, 11 de julho de 2008

COMPREENSÃO E AMOR


Zombaram das mesas girantes; jamais zombarão da filosofia, da sabedoria e da caridade que brilham nas comunicações sérias. Elas foram o vestíbulo da Ciência; é nele que, ao entrar, devem ser deixados os preconceitos, como se deixa um manto. Não é demais insistir para que façais de vossas reuniões um centro sério. Que alhures façam demonstrações físicas, vejam, ouçam, que entre vós se compreenda e se ame. Que pensais ser aos olhos dos Espíritos superiores, quando fazeis girar ou erguer-se uma mesa? Escolares. Passará o sábio o seu tempo a recordar o a-bê-ce da Ciência? Ao contrário, vendo que buscais as comunicações sérias, vos consideram como homens em busca da verdade. São Luís

Acrescenta o Sr. Allan Kardec: Não está aqui, senhores, um admirável programa, traçado com essa precisão e essa simplicidade de palavra que caracterizam os Espíritos realmente superiores? Que entre vós se compreenda, isto é, que todos de­vemos aprofundar tudo, para nos darmos conta de tudo; que entre vós se ame, isto é, que a caridade, uma benevolência mútua devem ser o objetivo dos nossos esforços, o laço a nos unir, a fim de mostrar pelo nosso exemplo o verdadeiro objetivo do Espiritismo. Estranhamente nos enganaríamos quanto aos sentimentos da Sociedade, se julgássemos que ela despreza o que se faz alhures. Nada é inútil e as experiências físicas também têm sua vantagem, que ninguém nos contesta. Se não nos ocupamos com elas, não é porque tenhamos outra bandeira. Temos nossa especialidade de estudos, como outros têm a sua, mas tudo isto se confunde num objetivo comum: o progresso e a propagação da Ciência.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Kardec e a Evolução do Espiritismo



As declarações de Kardec, quanto à natureza evolutiva do Espiritismo, têm servido de justificação para muitas confusões doutrinárias. Renovadores encarnados e reveladores desencarnados apóiam-se nas próprias palavras do codificador, para desfigurarem a codificação. E quando alguém se levanta em defesa da pureza da doutrina, é logo acusado de retrógrado. Entretanto, a verdade é que Kardec só admitia a evolução mediante rigoroso controle dos fatos e das comunicações mediúnicas, estas sempre sujeitas ao exame do bom-senso e ao critério da universidade.



Leia na íntegra o artigo clicando no link abaixo:


Kardec e a Evolução do Espiritismo
Fundação Maria Virgínia e José Herculano Pires - 02 de July de 2008